A Câmara dos Deputados avalia projeto de lei que obriga concessionárias e estados a instalarem ecodutos na malha viária de todo o país. As estruturas são pontes ou túneis parecidos com passarelas de pedestres, mas são construídas com vegetação e terra para imitar o ambiente da região e garantir segurança para os animais.

Os ecodutos deverão ser exigidos nas obras de construções ou ampliações de rodovias e incluídos em Estudos de Viabilidade Técnica e Estudos de Impacto Ambiental. A instalação pode ser subterrânea ou aérea, a depender das características da fauna e condições do relevo de cada região.

Se aprovado o projeto, as rodovias deverão contar com a estrutura em três anos. “Tem sido noticiado, com certa freqüência, a morte por atropelamento de diversos animais nas rodovias visto que elas, muitas vezes, acabam interceptando fisicamente um corredor ecológico natural. Imprescindível, portanto, que se analisem as barreiras físicas existentes em áreas de trânsito da fauna, de forma a se prever a construção de estruturas que propiciem a segurança na travessia da fauna.”, consta na justificativa.

Prevenção
Especialistas da fauna brasileira e de outros setores tomaram a iniciativa de buscar preservar as vidas de animais silvestres que muitas vezes são vítimas de acidentes nas estradas brasileiras. Os trabalhos no combate aos atropelamentos são realizados no Mato Grosso do Sul e devem ser ampliados para todo o país.

O Rede Estrada Viva, como é chamado o projeto, reúne dados sobre a fauna, os índices de mortalidade dos animais nas rodovias e busca sensibilizar o público, além de atuar na formatação de estratégias com a finalidade de reduzir os atropelamentos.

Os números preocupam. Pesquisa do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade Federal de Lavras, calcula que 450 milhões de animais silvestres sejam atropelados todos os anos no Brasil. Além dos prejuízos incalculáveis, os mais importantes e impactantes são as perdas de vidas de animais e humanas, já que quando bichos de médio e grande parte estão envolvidos em choque com veículos, geralmente o acidente é muito grave. Outra consequência deste índice alarmante é a perda da biodiversidade no país.

Para se ter ideia da dimensão deste problema, de 2013 a 2014, mais de 1,1 mil carcaças de 25 espécies de animais silvestres foram encontradas em três trechos de pouco mais de 1 mil quilômetros de rodovias do Mato Grosso do Sul.

Entre os animais que mais morrem nas estradas daquele estado estão cachorro do mato, tatu peba, tamanduá bandeira, tamanduá mirim e capivara. “O problema é de fato muito grave e acontece por uma série de razões, entre elas, a negligência do motorista, que muitas vezes ultrapassa a velocidade permitida”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (IPÊ).

Algumas ações já contribuíram para a preservação da fauna. Em 2006, no Pontal do Paranapanema no Estado de São Paulo, num trecho que corta o Parque Estadual Morro do Diabo, foram instaladas placas educativas e radares a fim de reduzir os atropelamentos de fauna. A iniciativa foi suficiente para reduzir a mortalidade de antas de uma média de seis por ano para uma a cada três anos.