O aumento dos custos dos planos de saúde, o avanço dos problemas emocionais e a intensificação da solidão no ambiente de trabalho indicam que 2026 exigirá das empresas uma revisão profunda sobre como cuidar da saúde de seus colaboradores.
Os sinais observados ao longo de 2025 indicam uma mudança estrutural na saúde suplementar no Brasil. De 2006 a 2024, os planos de saúde acumularam alta de 327%, segundo dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps). Ao mesmo tempo, cresce dentro das empresas a demanda por soluções que lidem não apenas com doenças, mas também com saúde emocional, prevenção e bem-estar contínuo.
Nesse cenário, especialistas defendem que 2026 marcará uma inflexão: saúde assistencial e ambiente de trabalho passarão a ser tratados como dimensões inseparáveis. A lógica tradicional, baseada no uso do plano apenas em situações de doença, tende a gerar ciclos de exames, encaminhamentos e pronto-socorro que pressionam custos e não resolvem as causas dos problemas. Essa nova perspectiva de cuidado integral é defendida por operadoras de saúde que se apoiam em modelos preventivos, como a Alice.
"Transformar a saúde não é sobre digitalizar processos antigos. É sobre alinhar incentivos, integrar dados, redesenhar fluxos e entregar valor real. Empresas que continuarem operando no modelo reativo vão pagar mais por resultados piores. A mudança é estrutural", afirma Guilherme Azevedo, cofundador da Alice.
Uma das abordagens mencionadas por operadoras envolve prevenção estruturada, acompanhamento contínuo e ampliação do acesso à atenção primária. Nesse modelo, profissionais acompanham o histórico do paciente, coordenam encaminhamentos e atuam na gestão do cuidado.
Estudos internacionais reforçam esse diagnóstico. Em 2024, a Organização Mundial da Saúde reconheceu a solidão como um risco de saúde pública, afetando uma em cada seis pessoas no mundo. Levantamentos na área de gestão e clima organizacional indicam que ambientes com interações fragilizadas tendem a registrar níveis mais altos de estresse, maior sensação de desconexão entre equipes e crescimento nos afastamentos.
"Saúde e cultura não podem mais ser tratadas como pautas separadas. Se o ambiente adoece, o plano vira pronto-socorro. Empresas que querem sustentabilidade precisam olhar para relações, liderança e qualidade das interações como parte da estratégia de saúde", frisa Sarita Vollnhofer, CHRO da operadora.
Além do aspecto cultural, mudanças regulatórias ampliam a responsabilidade das empresas. As novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que incluem a gestão de riscos psicossociais, colocam o bem-estar emocional no centro da agenda corporativa.
Segundo representantes da operadora, modelos assistenciais baseados em atenção primária, coordenação de cuidado e uso de dados podem contribuir para maior eficiência operacional e redução de desperdícios.
Para os executivos da empresa, a integração entre ambiente de trabalho e modelo assistencial pode gerar maior previsibilidade de custos e redução de afastamentos.
"As empresas que integrarem modelo assistencial e cultura organizacional tendem a ganhar previsibilidade de custos e fortalecer a produtividade. Já aquelas que mantiverem uma lógica fragmentada podem enfrentar pressões financeiras crescentes", afirmam os executivos.





















