O reconhecimento da Troca do Cristalino com Finalidade Refrativa (TCR), também chamada de cirurgia facorrefrativa, como procedimento usual e eticamente aceito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a partir do Parecer CFM nº 02/2022, estabeleceu a possibilidade de correção de miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia no campo da cirurgia do cristalino, tradicionalmente associada à remoção da catarata.
A cirurgia de catarata lidera as filas de procedimentos programados no país, com quase 150 mil brasileiros aguardando a operação, segundo dados do Ministério da Saúde, com base no Sistema Único de Saúde (SUS) e divulgados pelo jornal Informe Capixaba. Cerca de 25% dos brasileiros acima de 50 anos, o equivalente a 14 milhões de pessoas, apresentam a doenção.
Dr. Rodrigo Oliveira, médico oftalmologista especializado em cirurgia refrativa, catarata e doenças da córnea, pontua que, com a regulamentação, o procedimento tornou-se oficialmente incorporado ao arsenal terapêutico do país como uma cirurgia refrativa, muitas vezes reduzindo ou eliminando a dependência de óculos.
"Nos últimos anos, a cirurgia de catarata deixou de ser apenas um procedimento para ‘retirar a catarata’. Isso significa que pacientes sem catarata, mas com desejo de correção refrativa, passam a ter acesso a uma alternativa segura e regulada, com parâmetros claros para indicação, acompanhamento e controle de qualidade", afirma o médico.
Segundo o especialista, na prática, houve ampliação na possibilidade de resultados visuais duradouros, especialmente para pessoas fora da faixa etária ideal para cirurgia a laser ou com condições corneanas que contraindicam a ablação — remoção de tecido corneano. "A cirurgia de catarata tornou-se uma oportunidade de otimizar a visão, não apenas de restaurá-la, e isso mudou completamente o padrão de expectativa e satisfação dos pacientes", afirma.
O oftalmologista explica que, paralelamente, a cirurgia refrativa avançou de forma significativa em precisão e previsibilidade, graças à integração de lasers de última geração com métodos sofisticados de análise da superfície ocular.
"É possível planejar com maior confiança, adaptar o protocolo às particularidades de cada olho e oferecer resultados muito próximos do ideal. É uma evolução que tem redefinido a experiência visual tanto para o paciente quanto para o cirurgião", conta o especialista.
De acordo com o profissional, o laser de femtossegundo cria incisões com regularidade absoluta, reduz a dependência de instrumentos manuais e proporciona uma adesão corneana mais estável. Além disso, a evolução da topografia e da tomografia corneana permite que o cirurgião enxergue padrões sutis de irregularidade e assimetrias que antes não eram mensuráveis com tanta clareza.
"Isso possibilita identificar o desenho real da córnea, preservando melhor a biomecânica corneana. Já os tratamentos guiados por wavefront — tecnologia de medição da frente de onda ocular —, representam um salto qualitativo na qualidade visual", revela o oftalmologista.
Outro exemplo da evolução tecnológica na oftalmologia é o Presbyond, uma técnica avançada para correção da presbiopia que vem redefinindo o conceito de cirurgia refrativa para pacientes acima dos 40 anos.
De acordo com o Dr. Rodrigo Oliveira, diferente da monovisão clássica, o Presbyond utiliza o princípio da “visão combinada”, tratando cada olho de forma personalizada para ampliar a profundidade de foco binocular e permitir boa visão para longe, intermediária e perto, com preservação da qualidade visual e do contraste.
"A grande característica do Presbyond está no nível de personalização. Avaliamos dominância ocular, perfil visual, alterações ópticas naturais e a tolerância individual à diferença refrativa entre os olhos. Isso reduz efeitos indesejados e pode melhorar a adaptação do paciente", explica o Dr. Rodrigo Oliveira.
Segundo o especialista, a tecnologia se mostra eficaz para presbitas que desejam reduzir a dependência de óculos para leitura, celular e computador, mantendo uma visão funcional, natural e estável no dia a dia, com alta previsibilidade e satisfação.
O Dr. Rodrigo Oliveira destaca ainda avanços no tratamento do ceratocone. Segundo ele, as inovações, como a cirurgia do crosslinking corneano, procedimento para fortalecer a córnea, têm mudado o curso natural da doença, que frequentemente leva ao transplante de córnea quando não tratada. "Atualmente há protocolos acelerados, individualizados e guiados por espessura, que permitem tratar com maior segurança mesmo córneas mais finas, reduzindo o tempo de procedimento sem perder eficácia".
Para o médico, esses avanços ampliaram o número de pacientes que alcançam excelente qualidade visual sem recorrer a procedimentos mais invasivos, e funcionam como complemento às terapias modernas.
"A associação do crosslinking a técnicas de regularização corneana — como PRK topoguiado transepitelial — tem mostrado resultados muito expressivos. Essa abordagem permite, além de estabilizar a progressão, recuperar parte da acuidade visual perdida pela irregularidade da córnea", acrescenta Dr. Rodrigo Oliveira.
A importância da avaliação especializada
De acordo com o médico, mesmo pacientes com graus semelhantes ou sintomas parecidos podem ter anatomias completamente diferentes, fragilidades estruturais, doenças iniciais ou condições silenciosas que influenciam diretamente a segurança e o resultado final de cada procedimento. Ele ressalta que é fundamental buscar avaliação com um oftalmologista especializado antes de decidir por qualquer intervenção.
"Cada olho tem particularidades que não podem ser percebidas sem exames específicos e uma análise criteriosa. O especialista tem o treinamento necessário para identificar detalhes que passam despercebidos em avaliações mais básicas. Além disso, é ele quem consegue equilibrar expectativa e realidade, orientando o paciente para a opção mais segura e eficaz, de acordo com o perfil visual, idade, estilo de vida e características do olho", orienta o oftalmologista.
Para o Dr. Rodrigo Oliveira, a oftalmologia vive uma fase de avanços rápidos e contínuos, no entanto, nenhuma tecnologia substitui o cuidado individualizado.
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