A inteligência artificial (IA) tem avançado de forma acelerada nos ambientes corporativos e educacionais, deixando de ser apenas um recurso associado à inovação e ao marketing para se consolidar como uma tecnologia estrutural. Esse movimento tem impactado diretamente a organização do trabalho, a formação profissional e as exigências do mercado, que passa a demandar novas competências técnicas e analíticas.
Dados do relatório The State of AI in 2023, da McKinsey, indicam que 55% das empresas no mundo já utilizam inteligência artificial em ao menos uma área de seus negócios, percentual que quase dobrou em comparação a 2017, evidenciando a rápida incorporação da tecnologia aos processos produtivos.
Esse cenário tem levantado questionamentos sobre a adequação dos modelos formativos tradicionais às novas demandas do mercado de trabalho. A ampliação do uso da inteligência artificial em atividades operacionais, analíticas e estratégicas reforça a necessidade de atualização constante das competências profissionais, especialmente em áreas ligadas à gestão, tecnologia e educação.
Segundo análises do Fórum Econômico Mundial, a inteligência artificial tende a deixar de ser um diferencial competitivo e passar a atuar como um pré-requisito básico nas organizações. O relatório The Future of Jobs 2023 aponta que cerca de 23% dos empregos globais devem passar por transformações significativas até 2027, impulsionadas principalmente pela automação e pela adoção de novas tecnologias digitais. O estudo também indica crescimento da demanda por habilidades cognitivas, analíticas e socioemocionais.
De acordo com Angelo Toyokiti Yasui, pró-reitor do Centro Universitário Paulistana, a incorporação da inteligência artificial ao mercado de trabalho reforça a necessidade de adaptação dos currículos acadêmicos. Segundo ele, as instituições de ensino superior precisam alinhar a formação técnica ao desenvolvimento de competências críticas, éticas e analíticas, preparando os estudantes para atuar em um ambiente profissional cada vez mais mediado por tecnologia.
Além dos impactos no emprego, o avanço da inteligência artificial também levanta desafios éticos e de governança. Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertam para riscos relacionados ao viés algorítmico e à concentração do desenvolvimento de sistemas avançados em poucas empresas, o que pode ampliar desigualdades sociais e econômicas.
Nesse contexto, governos e organismos internacionais têm discutido a criação de marcos regulatórios para equilibrar inovação, segurança e proteção de direitos fundamentais. O objetivo é garantir que o uso da inteligência artificial contribua para o desenvolvimento econômico e social, sem comprometer princípios éticos e a transparência dos processos decisórios.
Para Angelo Yasui, a consolidação da inteligência artificial como tecnologia estrutural amplia os desafios para a educação, o mercado de trabalho e a formulação de políticas públicas. "Esse cenário exige acesso à informação qualificada, formação contínua e estratégias institucionais capazes de acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas", afirma.

















