Tecnologia amplia controle da dengue no Brasil
Tecnologia amplia controle da dengue no Brasil

O combate à dengue é um dos desafios mais persistentes da saúde pública brasileira. Todos os anos, sazonalmente, municípios lidam com ciclos de aumento de casos, sobrecarga dos serviços de saúde, limitações orçamentárias e dificuldades operacionais para alcançar áreas críticas de infestação do Aedes aegypti. Projeções para o próximo ciclo de transmissão da dengue apontam que o Brasil poderá alcançar aproximadamente 1,8 milhão de casos entre 2025 e 2026. A estimativa é do estudo InfoDengue–Mosqlimate, elaborado pela Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp) em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Foi a partir desse cenário, vivido de perto por gestores públicos e equipes técnicas, que uma solução desenvolvida internamente por uma empresa brasileira de engenharia começou a ganhar forma. O Techdengue surgiu a partir da necessidade de aprimorar o monitoramento de áreas urbanas e oferecer respostas mais assertivas ao poder público, além de ser uma combinação entre conhecimento técnico em engenharia, uso estratégico de drones e inteligência territorial."A proposta desde o início foi substituir um modelo predominantemente reativo por uma abordagem preventiva, orientada por dados e capaz de ampliar o alcance das ações municipais, especialmente em áreas de difícil acesso", afirma o CEO e idealizador do Techdengue, Cláudio Ribeiro. Da engenharia à saúde pública

A iniciativa evoluiu para um programa estruturado de apoio à saúde pública, combinando drones, inteligência artificial (IA), análise geográfica e aplicação direcionada de larvicida em pontos críticos para mapear criadouros com precisão e orientar decisões estratégicas das gestões municipais. Hoje, a tecnologia já apoia ações de combate às arboviroses em mais de 630 municípios brasileiros, impactando cerca de 13 milhões de pessoas.

Somente em 2025, o programa mapeou mais de 110 mil hectares (área equivalente a aproximadamente 154 mil campos de futebol) e identificou mais de 260 mil locais com potencial para proliferação do mosquito. Os dados, coletados em larga escala, oferecem às equipes de saúde pública uma leitura detalhada do território, o que permite intervenções mais rápidas e direcionadas justamente nos períodos de maior risco.

"A tecnologia transforma a lógica de atuação no combate à dengue, especialmente durante os meses de maior incidência de chuvas. Quando o município consegue agir antes do pico da transmissão, os resultados são mais consistentes e o impacto sobre a saúde pública é drasticamente reduzido", ressalta Cláudio.Eficiência e fortalecimento da gestão municipal

O programa utiliza larvicida 100% orgânico e biodegradável, desenvolvido para atuar de forma eficaz sem causar impactos ambientais ou riscos à população. A tecnologia permite a aplicação milimétrica apenas nos pontos identificados como críticos. Com isso, evita-se pulverizações amplas e reforçam-se práticas sustentáveis na saúde urbana.

"O retorno econômico ao setor público é expressivo. Para cada real investido, municípios podem economizar até R$ 28,60 em custos do SUS, considerando internações, medicamentos e agravamentos evitados. A estratégia deixa de ser apenas combate e passa a ser prevenção ao induzir uma gestão mais assertiva e sustentável", destaca o executivo.

Além do monitoramento inteligente, o programa também investe na capacitação de profissionais das secretarias municipais de saúde. Em 2025, foram realizadas mais de 45 horas de treinamentos em formato de Ensino a Distância (EaD), voltados ao uso estratégico da plataforma e à interpretação de dados, fortalecendo a autonomia das equipes locais e ampliando a efetividade das ações de campo.

Para Cláudio Ribeiro, o avanço da tecnologia no setor público representa uma mudança estrutural na forma de enfrentar o problema. "A dengue é um desafio complexo e não pode mais ser combatida apenas com métodos tradicionais. Quando unimos engenharia, dados e inteligência territorial, damos aos municípios a chance de agir no tempo certo, com mais precisão e menos desperdício. O resultado é uma gestão mais eficiente e, principalmente, mais vidas protegidas", conclui.

Sobre o Techdengue

O Techdengue é um programa voltado para a saúde pública que utiliza drones e análise de dados geográficos para conter a proliferação do Aedes aegypti. Com a aplicação de inteligência artificial e o uso de algoritmos sofisticados, são geradas informações precisas sobre as áreas de risco, permitindo ações rápidas e eficientes para o controle do mosquito e a prevenção de surtos de doenças transmitidas pelo vetor.