A formação técnica em prótese dentária no Brasil tem incorporado de forma crescente tecnologias digitais às grades curriculares, acompanhando a evolução dos processos laboratoriais e das demandas do mercado. Segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO), o país possui 25.677 técnicos em prótese dentária registrados. Já o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, instituído pelo Ministério da Educação (MEC), estabelece carga horária mínima de 1.200 horas para a formação profissional. A atividade é regulamentada pela Lei nº 6.710, de 1979, e pelo Decreto nº 87.689, de 1982. Nesse contexto, o mercado tem demandado profissionais com domínio de sistemas CAD-CAM (Computer-Aided Design/Computer-Aided Manufacturing) e conhecimento técnico ampliado, alinhado às novas tecnologias de produção.
A incorporação de soluções digitais tem impactado diretamente a qualificação dos profissionais. O Brasil conta atualmente com 3.241 Laboratórios Regionais de Prótese Dentária credenciados pelo programa Brasil Sorridente, o que reforça a necessidade de mão de obra especializada. Pesquisas publicadas na Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences indicam que sistemas CAD-CAM possibilitam a confecção de restaurações cerâmicas em uma única sessão clínica, ampliando a eficiência dos atendimentos. Esse cenário evidencia que a digitalização dos processos laboratoriais tem exigido formação técnica mais específica e atualização constante dos profissionais da área.
Diretrizes de formação técnica
O Ministério da Educação estabelece diretrizes nacionais para a formação de técnicos em prótese dentária, com o objetivo de qualificar profissionais para confeccionar e reparar próteses dentárias, aparelhos ortodônticos e dispositivos protéticos bucais. A formação também inclui gestão de laboratórios de prótese e suporte técnico ao cirurgião-dentista na fase laboratorial do processo de reabilitação oral. Os currículos contemplam políticas públicas de saúde, princípios técnicos e aspectos éticos do cuidado, preparando os profissionais para atuação integrada com as equipes de saúde.
Rodrigo Sousa, técnico especializado em CAD-CAM com atuação em Florianópolis (SC), explica que a formação técnica em fluxo digital requer conhecimentos ampliados. "A capacitação profissional em CAD-CAM exige formação que integre fundamentos técnicos convencionais com tecnologias digitais. É necessário desenvolver compreensão sobre anatomia dental, oclusão funcional, propriedades dos materiais e protocolos de fabricação. A formação técnica sólida prepara profissionais capazes de aplicar tecnologia com critério e fundamento científico", afirma o profissional.
Integração de conhecimentos técnicos
A formação técnica contempla conhecimentos sobre diferentes tipos de próteses dentárias, incluindo próteses fixas instaladas sobre dentes naturais e próteses removíveis. Os estudantes aprendem sobre características e propriedades de materiais como resina acrílica, porcelana e ligas metálicas, desenvolvendo competências para selecionar os materiais mais adequados para cada caso clínico. A capacitação abrange técnicas de moldagem, escultura e ajuste de próteses com precisão dimensional, aspectos fundamentais para a confecção de peças que atendam aos requisitos funcionais e estéticos.
Informações da Revista ImplantNews indicam que zircônias translúcidas representam a terceira geração deste material cerâmico. O processo de fabricação digital envolve usinagem do material em estado pré-sinterizado, seguida de sinterização para obtenção das propriedades mecânicas finais. A formação técnica deve preparar profissionais para compreender processos de fabricação e controle de qualidade, garantindo que as próteses atendam aos padrões técnicos exigidos.
Capacitação profissional contínua
O mercado de trabalho tem exigido atualização constante sobre novas tecnologias e materiais, considerando que a digitalização dos processos é tendência consolidada no setor. Habilidades manuais precisas e atenção aos detalhes são fundamentais para a confecção de peças ajustadas com exatidão. O domínio de softwares específicos para design de próteses tornou-se requisito profissional, ampliando as possibilidades de atuação e aumentando a competitividade no mercado.
Rodrigo Sousa destaca que a educação técnica diferencia profissionais no mercado. "A formação técnica de qualidade desenvolve raciocínio analítico sobre processos de fabricação, compreensão de variáveis que afetam resultados e capacidade de resolver problemas técnicos. Profissionais bem formados conseguem integrar conhecimentos convencionais com tecnologias digitais. A educação técnica adequada forma profissionais com autonomia e competência para atuar em diferentes contextos laboratoriais", relata o técnico.
Mercado e regulamentação
O CFO registra que os profissionais de prótese dentária prestam suporte técnico ao cirurgião-dentista no processo de reabilitação oral. A Associação dos Técnicos em Prótese Dentária (APDESP Brasil) promove eventos para atualização profissional no setor. A profissão é regulamentada pela Lei Federal 6.710 de 5 de novembro de 1979, que dispõe sobre a profissão de Técnico em Prótese Dentária e determina providências para o exercício profissional.
Rodrigo Sousa enfatiza a importância da formação técnica regulamentada. "A regulamentação profissional estabelece parâmetros de qualidade para a formação técnica. Profissionais formados conforme diretrizes do MEC e registrados no CFO têm respaldo legal para exercer a profissão. A educação técnica formal, combinada com atualização contínua em tecnologias digitais, prepara profissionais qualificados para atender às demandas do mercado com competência técnica e responsabilidade profissional", conclui o especialista.
Sobre o profissional
Rodrigo Sousa é técnico em prótese dentária com especialização em sistemas CAD-CAM. Atua em Florianópolis (SC) com foco em fluxo digital.






















