Atletas, tanto em formação quanto em nível profissional, enfrentam desafios que nem sempre são visíveis ao público, como a fadiga muscular, a pressão por resultados, o medo do fracasso, a ansiedade, a depressão e, muitas vezes, o burnout. Um exemplo amplamente divulgado foi o da ginasta norte-americana Simone Biles que, em 2021, optou por não disputar as finais das Olimpíadas de Tóquio para priorizar sua saúde mental.
Segundo o treinador Leonardo Muller dos Santos, o papel do treinador envolve mais do que o desenvolvimento técnico. Para ele, é fundamental que o atleta perceba clareza, coerência e propósito no processo de treinamento. Em suas declarações, o treinador afirma que a construção de um ambiente seguro permite que o atleta confie no trabalho proposto e se engaje de forma mais consistente em sua evolução esportiva.
Leonardo destaca que decisões baseadas em critérios claros, feedback honesto e respeito constante contribuem para a construção de um vínculo sólido entre treinador e atleta. Ele ressalta que os jogadores observam atentamente aspectos como postura, ética, senso de justiça e a forma como o treinador conduz situações difíceis, especialmente quando um atleta atravessa momentos de maior vulnerabilidade.
O treinador relembra dados de um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no qual 3% dos atletas entrevistados apresentaram sintomas de depressão grave, enquanto cerca de 30% relataram sintomas leves ou moderados. Em relação à ansiedade, 5% apresentaram sintomas graves e 16% sintomas moderados. Para Leonardo, esses números evidenciam a relevância de uma abordagem que considere a saúde mental no contexto esportivo.
"A liderança esportiva deve manter firmeza nos valores e flexibilidade na aplicação. Mudanças de comportamento, como desmotivação, retração ou irritabilidade, são sinais de que o atleta pode estar enfrentando dificuldades fora do aspecto físico", pontua o profissional.
Leonardo afirma que, em sua prática, ao observar esses sinais, conversa com o atleta e considera seu momento de vida, reconhecendo que cada jogador possui sua própria história e ritmo de desenvolvimento.
Ele também ressalta que faz parte da função do treinador perceber quando algo não vai bem e orientar o atleta a buscar acompanhamento psicológico especializado quando necessário, entendendo que o suporte profissional é essencial para lidar com determinadas questões emocionais.
Para Leonardo Muller dos Santos, proximidade e respeito não enfraquecem a liderança do treinador. Em suas palavras, conhecer a trajetória individual dos atletas, reconhecer conquistas e oferecer suporte em momentos difíceis fortalece a relação treinador-atleta e contribui para um ambiente de trabalho mais saudável.
Na sua visão, o futuro do esporte de alto rendimento passa por líderes que entendem que desenvolver atletas é também cuidar de pessoas. Quando o treinador reconhece esse cenário e assume seu papel como influência diária na vida do atleta, ele ajuda a construir carreiras mais longevas, saudáveis e vencedoras.
"Liderança, no final, é formar seres humanos preparados para vencer dentro e fora do campo", finaliza.
Trajetória profissional
A trajetória profissional de Leonardo Muller dos Santos como treinador foi construída durante sua atuação como Graduate Assistant Soccer Coach na Oklahoma Wesleyan University, entre 2019 e 2021. Nesse período, integrou a comissão técnica da equipe masculina que alcançou a final do Campeonato Nacional da NAIA e conquistou múltiplos títulos da Kansas Collegiate Athletic Conference, resultados que posicionaram o programa entre os mais competitivos do país naquele ciclo.
Antes disso, Leonardo concluiu o bacharelado em marketing na mesma instituição, período em que também atuou como atleta universitário. A experiência como estudante-atleta contribuiu para sua compreensão sobre como fatores como motivação, comunicação e construção de identidade influenciam o desempenho individual e a cultura da equipe no ambiente esportivo.
Além do trabalho técnico, Leonardo dedicou-se ao acompanhamento de atletas em desafios acadêmicos, culturais e emocionais. O contato com jogadores de diferentes origens reforçou sua percepção de que o trabalho do treinador vai além de treinos e estratégias, envolvendo também escuta ativa, empatia e atenção aos aspectos mentais do desenvolvimento esportivo.
Leonardo possui mestrado em Liderança Ética pela St. Thomas University, formação que contribuiu para o aprofundamento de sua abordagem voltada à liderança, ao desenvolvimento humano e à integração entre desempenho esportivo e formação de caráter.
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