Desde os anos 1960, sob controle da família Menck, uma fazenda produtiva na bela Serra Geral do Paranã, próximo à Chapada dos Veadeiros e praticamente na divisa de Goiás (municípios de Formosa e Planaltina) com o Distrito Federal, é conhecida na região, curiosamente, não apenas pelas técnicas agrícolas avançadas, mas também em pesquisa e proteção ambiental das espécies de animais sob risco de extinção e da flora, bem como no esporte nacional e mundial.
Afinal, no terreno da fazenda de mais de 2 mil hectares, onde se planta soja, trigo, sorgo e milho, está situada uma das melhores rampas de salto para voo livre da América do Sul – é o que dizem os pilotos que ali disputam até 30/8 a Etapa Brasília do Campeonato Brasileiro de Asa Delta 2025. E em seu entorno há áreas de proteção permanente e reservas ambientais, que demandam atenção dos proprietários e frequentadores da rampa e da fazenda.
Na “Rampa de Voo Livre Dr. José Menck”, batizada por praticantes de voo livre em homenagem ao patriarca da família, já foram realizadas, inclusive, etapas do campeonato mundial de asa delta, em 2003 e em 2017. Para realizar o campeonato deste ano naquela rampa a família Menck exigiu que pilotos e organizadores, a Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL), em parceria com a Associação de Voo Livre do Distrito Federal, seguissem regras de proteção ambiental. Tudo para ficar em sintonia com os serviços de pesquisa ambiental conduzidos no local pelo “Instituto José Menck de Pesquisa Ambiental”.
Ali, o cenário chama a atenção: enquanto os trabalhadores da fazenda fazem a gestão da plantação e mais de 50 pilotos do Brasil, da Austrália, do Paraguai, Argentina e outros países voam no atual campeonato, mais de 20 espécies animais circulam em áreas de proteção permanente e reserva ambiental no entorno são pesquisadas pelo Instituto José Menck. Dessas espécies, pelo menos oito estão em risco de extinção. É o caso da onça pintada; onça parda; tamanduá bandeira; anta; queixada; veado campeiro; lobo-guará; e raposinha-do-campo.
Legado ambiental para futuras gerações
A Serra Geral do Paranã se estende do norte do DF ao nordeste de Goiás, atravessando municípios goianos como Formosa, Planaltina de Goiás, São João D’Aliança e Alto Paraíso de Goiás. O Instituto José Menck realiza ações de proteção e conservação ambiental em uma área de 400 hectares – equivalente a 400 campos de futebol gramado – contígua à fazenda da família.
“Nosso pai foi um entusiasta e apoiador do voo livre e sempre teve a preocupação com a proteção do meio ambiente, em especial por ser fazendeiro e compreender que o agro só existe, só produz, só é competitivo se agir para proteger e preservar o meio ambiente. Sem um meio ambiente saudável, não há água, não há solo fértil, não há clima”, diz um dos filhos de José Menck, José Thadeu Mascarenhas Menck. Segundo ele, o Instituto tem o propósito de construir um legado de conhecimento da riqueza ambiental do Cerrado para as futuras gerações e para os que frequentarem a Serra Geral do Paranã, “além de demonstrar, na prática, que o agronegócio é parceiro de primeira hora do meio ambiente e do esporte nacional e mundial”.
Alguns dias antes da Etapa Brasília do atual campeonato brasileiro, biólogos flagaram mais onças caminhando pela propriedade. Thadeu explica que o esforço de pesquisa, preservação e proteção da área por parte do Instituto José Menck já permitiu um ambiente de maior tranquilidade para a procriação de onças. E esta iniciativa está sendo compartilhada com fazendeiros vizinhos, para que apoiem o projeto e ajudem a proteger as espécies e a fauna.
Área sediará outros estudos acadêmicos e pesquisa
Este avanço do Instituto em 5 anos, tem evitado um cenário de insegurança ambiental causada por terceiros (que acabam passando por aquela área), é a fase inicial para que, em breve, a família Menck promova uma maior abertura sustentável do terreno à visitação do público do DF e de Goiás, além de turistas e estudantes das redes de ensino. Atividades de observação e de ensinamentos sobre a fauna e a flora estão nos planos do Instituto José Menck.
“Também vamos estimular o incremento da pesquisa acadêmica por biólogos e outros profissionais, interessados em estudos sobre a fauna e a flora da região. Futuramente teremos um centro de pesquisas próprio em Alto Paraíso (GO) e, assim, vamos colaborar para ampliar a pesquisa do bioma Cerrado”, afirma.