A apuração dos custos de produção é parte central da gestão industrial, mas ainda apresenta desafios relevantes em empresas de diferentes portes. Informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Anual (PIA), apresentam dados sobre a estrutura de custos da indústria brasileira, que envolve insumos, mão de obra, despesas indiretas e investimentos em capital produtivo.
Na prática, especialistas observam que a dificuldade não está apenas na coleta de dados, mas na forma como esses custos são organizados e apropriados internamente. Ainda são comuns metodologias simplificadas, como a distribuição genérica de custos indiretos ou a adoção de uma única taxa-horária para diferentes centros produtivos, o que pode comprometer a leitura econômica dos produtos.
De acordo com Luiz Demeter Junior, sócio da consultoria Albuquerque Paulo & Associados e especialista em gestão industrial, o problema é estrutural. "Muitas empresas possuem informações operacionais detalhadas, mas não organizam esses dados dentro de uma lógica de custeio que reflita o funcionamento da fábrica. Sem isso, o preço de venda acaba sendo definido sem conexão direta com o custo real de cada produto", afirma.
A legislação fiscal brasileira determina que empresas tributadas pelo regime do Lucro Real apurem o custo com a inclusão dos custos diretos e indiretos de fabricação. A norma estabelece que o custo de produção deve compreender matérias-primas, bens e serviços aplicados ou consumidos no processo produtivo, inclusive os custos indiretos, caracterizando a adoção do custeio por absorção para fins fiscais.
Segundo Demeter Junior, a forma como a maioria das indústrias apura seus custos, na prática, nem sempre reflete a realidade do processo produtivo. "O uso de critérios simplificados para apropriar, ou ratear como normalmente é falado, custos indiretos distorce a taxa-horária e pode mascarar margens, levando a decisões equivocadas", afirma.
As consequências vão além da precificação. Segundo o consultor, falhas na apuração de custos afetam decisões relacionadas ao mix de produtos, à alocação de capacidade produtiva e à avaliação de desempenho industrial. "É comum encontrar produtos que aparentam ser rentáveis, mas que na prática são detratores de margem, enquanto outros subsidiam o resultado sem que isso fique claro para a gestão", afirma.
Em um cenário de maior competitividade e pressão por eficiência, a qualidade das informações de custo ganha relevância estratégica. A formação do preço de venda passa a depender não apenas de referências externas, mas da capacidade das empresas de compreenderem, com precisão, como seus recursos são consumidos ao longo do processo produtivo.





























