Fim da 6x1 desafia prazos e qualidade na construção civil
Fim da 6x1 desafia prazos e qualidade na construção civil

O fim da escala 6×1 exigirá da construção civil uma revisão do planejamento das obras para conciliar jornadas menores, custos e compromissos de entrega. A adaptação dos canteiros coloca em pauta a capacidade do setor de ampliar a produtividade e preservar os prazos e a qualidade dos empreendimentos. Essa é a avaliação de Maurício Scoz, engenheiro e CEO da Daxo Incorporadora. "Cumprir os compromissos de uma obra exige inteligência de gestão. O desafio é planejar melhor, aplicar tecnologia e qualificar as equipes para que a entrega não dependa de jornadas cada vez maiores", afirma.

Promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro, a Emenda Constitucional 141 estabelece dois dias de repouso semanal remunerado e reduz progressivamente a jornada, sem corte salarial. A primeira etapa começa em dezembro de 2026, com limite de 42 horas semanais. Em dezembro de 2027, o teto passa a 40 horas. A mudança alcança também empresas que já distribuem as 44 horas em cinco dias. A adaptação, portanto, envolve tanto a organização das folgas quanto o tempo disponível para executar os serviços.

Custos e produtividade

Estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborado com base na Relação Anual de Informações Sociais de 2024, estima que a reposição das horas por novas contratações exigiria 288 mil trabalhadores adicionais, com custo anual de R$ 13,5 bilhões, incluindo encargos básicos. Em outro cenário, de reposição por horas extras, a entidade projeta aumento de até 15% nos gastos com mão de obra. Os números representam cenários de adaptação do setor, não reajustes definidos para obras ou imóveis.

Para Scoz, a pressão sobre os custos reforça a necessidade de melhorar os processos construtivos e a capacidade das empresas de administrar os riscos da atividade. "A incorporadora tem a responsabilidade de conduzir essa adaptação. A transformação exige mudanças na forma de construir, não apenas uma redistribuição das horas trabalhadas", ressalta.

O executivo defende que a produtividade seja avaliada pela qualidade e pelo resultado do trabalho executado em cada etapa. Nessa perspectiva, tecnologia e qualificação devem contribuir para aproveitar melhor as horas disponíveis nos canteiros.

Confiança até a entrega

No mercado de alto padrão, a capacidade de conduzir uma obra e cumprir o que foi contratado integra a decisão de compra. "Ao escolher um imóvel, o cliente deposita confiança na capacidade da incorporadora de concretizar o que apresentou na venda. Cabe a nós preservar essa confiança ao longo de toda a obra, nas decisões que sustentam o prazo e a qualidade da entrega", reitera Scoz.

Essa responsabilidade, em sua avaliação, deve acompanhar a evolução das relações de trabalho. O executivo reconhece a mudança como parte de uma transformação da sociedade e defende que o setor avance em produtividade para dar sustentação às melhorias.

"As mudanças nas relações de trabalho exigem uma evolução equivalente na gestão das obras. O desafio não é simplesmente compensar horas ou repassar custos, mas repensar processos, reduzir desperdícios e elevar a produtividade. O compromisso da incorporadora com o cliente permanece o mesmo: entregar aquilo que foi contratado, com qualidade, previsibilidade e responsabilidade", conclui.

Sobre a DAXO Incorporadora

Fundada em 2014, com sede em Joinville (SC), a DAXO é uma incorporadora boutique com mais de 12 empreendimentos entregues. Atua em Joinville, Balneário Piçarras e Campo Alegre, com projetos de alto padrão na cidade, na praia e no campo. Seu portfólio reúne arquitetura autoral, design e integração com a natureza, com trabalhos assinados por profissionais reconhecidos.

O conforto, o bem-estar dos moradores e o atendimento personalizado orientam sua atuação. Mais informações: www.daxo.com.br