A participação de professores em formações sobre tecnologias digitais diminuiu nas redes municipais de ensino. Segundo TIC Educação 2024, edição mais recente da pesquisa do Cetic.br com entrevistas a professores, 43% dos docentes dessas redes realizaram atividades de desenvolvimento profissional sobre o uso de tecnologias no ensino nos 12 meses anteriores ao levantamento. Em 2021, o índice era de 62%. Considerando todas as redes, o percentual é de 54%.
A edição de 2025, que ouviu gestores escolares, indica que a preparação docente segue como obstáculo. Entre as escolas que não desenvolvem iniciativas de educação digital, que somam 34% do total, mais da metade aponta a falta de habilidades dos professores como dificuldade, segundo nota técnica da Fundação Telefônica Vivo sobre a pesquisa.
O cenário coincide com uma mudança no currículo. O complemento de Computação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologado em 2022, passa a ser implementado nas redes a partir de 2026, e o Ministério da Educação vinculou o acesso ao VAAR, modalidade de complementação do Fundeb, ao alinhamento curricular com o documento, segundo Fundação Lemann.
Até 2024, apenas quatro estados tinham a computação como componente obrigatório no currículo, de acordo com levantamento da Fundação Telefônica Vivo e do Movimento pela Base. Entre as recomendações do estudo está a inclusão da computação nos cursos de licenciatura e de Pedagogia.
Fora do país, a pesquisa "Building the Future", realizada pela Edelman DXI para a LEGO Education em agosto e setembro de 2025 com 1.800 professores e gestores dos Estados Unidos, da Alemanha, da Coreia do Sul e da Austrália, mostra que 69% dos professores consideram o letramento em inteligência artificial fundamental para o futuro dos estudantes, enquanto 40% afirmaram que suas escolas não estão preparadas para ensinar o tema de forma responsável.
Atenta à demanda por preparação docente, a VIVA Inteligência Educacional, que oferece consultoria, formação e suporte pedagógico a escolas, passou a contar com dois formadores certificados pela LEGO® Education Academy. No fim de setembro, Danilo Nogueira, técnico educacional da empresa, concluiu o Teacher Trainer Certification Program, no México, e se juntou a Marcelo Ávila, especialista educacional da VIVA, que já tinha a certificação. Os dois conduzem as formações de professores das escolas que trabalham com as soluções LEGO® Education, como as linhas Computação e IA e Science.
Segundo Danilo, a formação prática é o que dá segurança ao professor para levar a computação para a sala de aula. "Na formação, o professor ocupa o lugar do aluno: constrói, programa, testa e erra antes de conduzir a atividade com a turma. É essa experiência que permite adaptar o conteúdo à realidade de cada escola", afirma.
Com a BNCC Computação em implementação e menos da metade dos professores das redes municipais com formação recente em tecnologia, a preparação docente passa a ser uma das condições para que o novo conteúdo chegue às salas de aula.























