por Carlos Eduardo Oliveira
Evento que moldou gerações de apreciadores da sétima arte no país, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chega a sua 50ª. edição. Até 29 de Outubro – e na semana seguinte, na já tradicional “repescagem” –, um total de 391 títulos de 93 países passarão por 57 salas de cinema, espaços culturais e CEUs espalhados pela capital paulista, além de diversos eventos e comemorações da data especial.
As informações sobre ingressos e locais de exibição estão disponíveis no aplicativo exclusivo da Mostra. A versão atualizada já está disponível para download — pela App Store e pela Google Play. O programa também permite a aquisição de pacotes de ingressos das sessões presenciais, acesso à agenda de programação de títulos escolhidos, reserva de ingressos para credenciados e compra de ingressos individuais.
A Mostra conta ainda com o aplicativo da MLoad, que disponibiliza recursos de acessibilidade para mais de 80 filmes da seleção.
Criada pelo crítico de cinema, jornalista e cineasta Leon Cakoff (1948-2011), a “Mostra”, como é carinhosamente conhecida, é verdadeira instituição cultural do país. Atualmente, é comandada e programada pela produtora, curadora, apresentadora e cineasta Renata de Almeida, que foi casada com Cakoff e está envolvida com o evento desde sua 13ª edição.
As celebrações pelo meio século incluem exposições, em cartaz no Solar Fábio Prado: “Steps – Fotografias Inéditas de Abbas Kiarostami”; “Tempo e Movimento: os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”; e “50 Anos, 50 Cartazes”. E ainda o livro “Antes Que Eu Me Esqueça” (editora Cosac), onde Renata de Almeida exercita suas memórias do festival.
Homenagem internacional
Vencedor do Special Tony Award e do Primetime Emmy Award , o ator John Leguizamo vem a São Paulo para a 50ª Mostra. Na segunda-feira, 26 de outubro, ele participará de uma masterclass e receberá, pelo conjunto de sua carreira, o prêmio Leon Cakoff das mãos da diretora da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Renata de Almeida. O prêmio leva o nome do criador da Mostra e reconhece personalidades da cultura e do mercado audiovisual.
Leguizamo estrela A Odisseia, de Christopher Nolan, fenômeno cinematográfico da Universal Pictures que bateu recordes. No filme, ele interpreta Eumeu, fiel amigo e servo de Odisseu. Leguizamo acumula a participação em mais de 100 filmes e inúmeros programas de televisão, além de indicações para premiações como o Golden Globes e o Screen Actors Guild Awards.
Mostrinha
A 50ª edição da Mostra apresenta ainda a terceira edição da Mostrinha, seção dedicada ao público infanto-juvenil, com uma programação que combina diversidade cultural, diferentes olhares sobre a infância e uma ampla presença pela cidade – serão 20 longas (e um curta) de 20 países, exibidos em 27 equipamentos do Circuito SPCine (nas zonas norte, sul, leste e oeste de São Paulo), além de salas mais centrais como CineSesc, Espaço Petrobrás de Cinema e Itaú Cultural.
Dirigida por Renata de Almeida, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo acontece há 50 anos. Durante duas semanas, no mês de outubro, o evento na capital paulista exibe filmes inéditos de vários países do mundo e abriga sessões especiais de cópias restauradas de clássicos do cinema, além de realizar encontros com diretores e produtores, ocupando diversas salas e espaços da cidade. Todos os anos, a Mostra homenageia personalidades com o prêmio Humanidade e, desde 2012, com o Prêmio Leon Cakoff, que leva o nome do criador do evento, falecido em 2011.
Abaixo, trechos da entrevista exclusiva concedida pela produtora ao portal VIDA MODERNA.
Anos atrás, o Leon Cakoff lançou “Ainda Temos Tempo”, obra que já trazia uma reflexão sobre a Mostra. Acredita que possa haver uma conexão com o seu livro “Antes Que Eu Me Esqueça”?
Renata de Almeida: “Talvez haja algo, sim. São duas visões que se complementam, coincidindo aqui e ali. Em meu livro, conto um pouco do que vivi, das minhas memórias, a partir da 13ª Mostra. Não foi um processo fácil, me deu um certo frio na barriga em me expor. No fundo sou tímida. Mas fiz 60 anos, a Mostra tem 50, então era hora desse retrospecto”.
Há uma expressão sua – “ausência de preconceito” – que, por singela que soe, talvez encapsule muito do que é a Mostra, sua função social e perenidade.
“Sim, essa é uma das funções do cinema. Temos essa relação com cinematografias do mundo inteiro, filmes e diretores de países como Cazaquistão, Quirguistão, pessoas e mundos distantes, mas com os mesmo sentimentos e problemas que nós. A Mostra sempre buscou esse humanismo, através desses outros olhares do mundo. É uma de nossas funções, trazer a reflexão, o cinema retratando o estado do mundo. A Mostra nasceu em plana ditadura, e continua com esse papel de contestação, o pensar do mundo através das questões sociais”.
Um dos charmes da Mostra são convidados de luxo assinando a arte dos cartazes, grandes cineastas como Fellini, Akira Kurosawa, Wim Wenders, Stanley Kubrick, Hector Babenco, etc. Há alguém que você tentou e não conseguiu?
“Sim, o (cineasta mexicano) Guillhermo del Toro é um exemplo. Às vezes, acontece de grandes diretores serem convidados e não quererem fazer. Ou por ficarem constrangidos, ou por não terem o apelo gráfico para fazer o pôster. Para um sim, há vários não (risos).
Em uma edição comemorativa de 50 anos, em que pesem produtoras, filmes e diretores que já não estão mais por aí, como resistir à tentação de apresentar uma seleção, um best of, de filmes que marcaram época no evento?
“Nesse tempo todo há até países que não existem mais. Mas seria uma coisa a mais sobre a própria Mostra. Como já há o meu livro, as exposições, o livros de pôsteres (obs: de cartazes da Mostra ao longo do tempo), então já seria muita coisa sobre a própria Mostra, e a gente tem que fazer, além da Mostra comemorativa, a Mostra 2026. Seria coisa demais”.
Anos atrás, você co-dirigiu com o Leon Cakoff o curta “Volte Sempre, Abbas”, sobre a passagem por São Paulo do cineasta iraniano Abbas Kiarostami. Algum plano de voltar para trás das câmeras?
“Quem sabe, né (risos)? Talvez com mais tempo, a partir de agora. Estou dando espaço para novos colaboradores que estão chegando, e estamos com uma equipe bem afinada na Mostra. Vamos ver se volto a ter tempo”.
E a Mostrinha, em sua terceira edição?
“A Mostrinha é outro dos nossos papéis: trazer um outro olhar para as crianças que não seja só o do cinemão americano”.





















