Por Luiz Fernando Souza *

O Coronavírus pegou de surpresa não só os médicos, os pesquisadores e os governantes, mas também toda a imprensa, os educadores e, ainda, profissionais das mais variadas áreas. Inclusive – diria até “quase principalmente”, embora seja suspeito para falar – da tecnologia, pois, afinal, nós fomos os responsáveis por ajudar a virar a chave do mundo. [read more=”Continuar lendo…” less=”Menos”]

Se hoje as empresas conseguem manter seus colaboradores trabalhando seguros em suas casas, se as pessoas conseguem manter contato em tempo real com familiares e amigos, se estudantes de todas as idades podem acompanhar aulas e dar prosseguimento ao ano letivo, se especialistas como psicólogos e fonoaudiólogos conseguem atender remotamente aos seus pacientes, e se as pessoas conseguem comprar um universo de produtos com poucos cliques, tudo isso só se tornou possível graças à tecnologia.

Sei que isso é um lugar-comum, mas é fato que a tecnologia encurtou distâncias, aproximou pessoas, dinamizou as relações entre marcas e clientes e revolucionou, em tempo recorde, tudo o que conhecíamos sobre trabalho, estudo, saúde e consumo.

Uma coisa é certa: o mundo não é mais o mesmo. Agora, o que muita gente não se atentou é que, para que tudo isso fosse possível, a nuvem exerceu um papel fundamental. Quem já estava adiantado no que diz respeito à transformação digital, fazendo uso de cloud computing para armazenar dados e afins, certamente teve menos dificuldade em se adaptar a este novo cenário. Se hoje é possível acessar informações a qualquer hora, em qualquer lugar e com segurança, isso é fruto de um esforço feito por profissionais em TI.

Mas, para que em algum momento a “mágica” fosse possível, houve um trabalho financeiro para fundamentar as decisões.

E é aqui que a conta pode não fechar. Geralmente os provedores “tier 1” (os mais conhecidos no mercado e, por consequência, os mais populares) são norte-americanos, e quando falamos em Estados Unidos, automaticamente temos que considerar preços em dólares.

Como qualquer coisa tarifada em dólar, a nuvem “importada” pode sair bem cara – estimativas de mercado apontam que, com a oscilação da moeda em tempos de COVID-19,  o cliente brasileiro das nuvens norte-americanas percebeu um aumento que pode superar os 50% nos preços, e isso se dá devido às mudanças na taxa de câmbio. Quem opta pela nuvem importada geralmente não se atenta aos custos embutidos.

Se a empresa ou usuário contrata por um meio de um intermediário, como um distribuidor ou um broker, terá seu custo aumentado, pois terá o acréscimo de margem e impostos. É preciso considerar que para cada dólar gasto, ele irá investir R$ 6 (câmbio) e, em cima desses R$ 6, mais R$ 3 (a taxa aplicada é geralmente de 50%), mais R$ 3 (referentes aos custos de operação com o banco, o fluxo financeiro, a mão de obra e o pessoal…), o que pode chegar a R$ 12 por dólar contratado.

Quem lida com TI muitas vezes não imagina o que há por trás da burocracia, e o que num primeiro momento custa US$ 0,02 pode, no final, chegar a US$ 20 mil. Como muitas vezes não há um alinhamento entre o TI e o Financeiro, a empresa acaba assumindo o passivo por não estar fazendo o recolhimento correto dos tributos.

Em resumo: quem aderiu à nuvem para evitar a compra de hardware, mas optou por um produto de fora, será seriamente impactado em algum momento (se já não foi). Isso nos leva a um outro cenário, que é o repensar do uso da nuvem visando a redução de custos, o que ao meu ver é a contramão do ecossistema.

Como quem lida com TI se baseia em referências, geralmente não volta os olhos para os produtos nacionais, justamente porque os produtos estrangeiros têm mais destaque no mercado. Mas o Brasil tem, sim, ótimos produtos. O que falta é conhecimento, por parte do público, dessas soluções, que trazem serviços agregados, tecnologias de ponta e, o melhor, são tarifadas em Reais.

Diferentemente dos provedores locais, as marcas globais geralmente não orientam diretamente o cliente no que diz respeito à escalabilidade – essa responsabilidade, no fim das contas, fica a cargo do broker ou do distribuidor no momento da revenda do serviço, gerando para o cliente duas contas a serem pagas.

Indo mais a fundo, é importante ressaltar que nem todo broker “abre” para o cliente qual nuvem ele está contratando, pois na maioria das vezes, ele representa múltiplas marcas, e só repassa os valores incluindo o seu custo.

Também precisamos considerar que a orientação ao cliente irá variar de acordo com o suporte que ele pagar – em clouds globais, isso geralmente tende a ser de acordo com nível de suporte contratado na hora da aquisição do espaço em nuvem. Por isso, todo cuidado é pouco.

Como a cultura de contratação de nuvem sob demanda vem aumentando no Brasil, é preciso observar os critérios de excelência antes de ir às compras para, então, escolher um bom serviço. Isso, evidentemente, também se aplica ao cloud computing Made in Brazil.

Para quem ainda tem receio, ou mesmo desconhece o nosso potencial, a grande vantagem das empresas baseadas localmente é o serviço de apoio, a baixa latência e a operação de gestão focada no sucesso do cliente.

 

* Luiz Fernando Souza é CBO da Binario Cloud

 

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