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Falta de dados oficiais dificulta apoio à população LGBTQIAP+



Junho é o mês escolhido para dar visibilidade à causa LGBTQIAP+ e pesquisas internacionais se dedicam a quantificar, em dados estatísticos, as vidas dessas pessoas e as dificuldades que elas encontram. Já no Brasil ainda não há levantamentos oficiais, de abrangência nacional, com perguntas sobre orientação sexual e identidade de gênero, por exemplo. Uma decisão da Justiça Federal do Acre busca reverter esse quadro ao determinar que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) faça essa investigação no questionário do Censo 2022. O IBGE, no entanto, decidiu recorrer da decisão.

A falta de definição por parte do IBGE, que é uma das maiores fontes de dados do país, demonstra o problema na coleta de dados. Para ser ter uma ideia, somente este ano a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) divulgou o resultado do primeiro levantamento que foi realizado levando em conta a orientação sexual das pessoas ouvidas. Pelos números, 2,9 milhões de brasileiros maiores de 18 anos se declaram homossexuais ou bissexuais – o equivalente a 1,8% da população adulta. Mas, a pesquisa não contempla os adolescentes e nem investiga aspectos da transexualidade. Também não há dados sobre a violência sofrida por essas pessoas.

A demonstração da lgbtfobia em números fica a cargo das organizações da sociedade civil. Pesquisa independente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) revelou que 51% das pessoas que se identificam como LGBTQIAP+ já foram vítimas de discriminação. Os números mostram ainda que 94% das agressões são verbais e 13% resultam em violência física.

K.K Verdade, diretore executive do ELAS+, primeiro fundo independente dedicado às mulheres no Brasil, destaca que quando se trata do movimento de mulheres LBTQIAP+, o número de pesquisas é ainda mais reduzido e isso impede que elas sejam contempladas em todas as suas necessidades e diversidades. “Não ter um panorama em números sobre essa realidade é uma forma de manter essas pessoas na invisibilidade. É como se elas não existissem e não estivessem produzindo, quando na verdade elas estão trabalhando, e muito, pela transformação social”.



Apoio em organizações da sociedade

Sem pesquisas ou políticas públicas que as amparem, pessoas LGBTQIAP+ contam quase que exclusivamente com iniciativas sociais. Organizações que atuam de forma criativa, com projetos em diversas áreas, como avanço de direitos, emprego e renda, segurança pública e educação.

Para dar suporte à população LGBTQIAP+, há grupos que se dedicam a oferecer capacitação profissional para combater os estigmas sociais que pessoas trans e travestis enfrentam; outros fornecem formação em segurança digital para criar redes de apoio capazes de oferecer respostas rápidas em caso de ataques virtuais. Há iniciativas ainda que oferecem pré-vestibular comunitário para população LGBTQIAP+, programas de empregabilidade, de promoção e disseminação de arte, de cultura, e até no esporte.

Para fortalecer iniciativas como essas, de mulheres e pessoas trans engajadas na mudança social, o ELAS+ lançou este mês o Mulheres em Movimento 2022: fortalecendo a solidariedade e a confiança. Esta é a sexta edição do edital que já apoiou 244 iniciativas em todo país, totalizando mais de R$ 11 milhões em doações.

Este ano, o ELAS+ vai destinar R$ 4 milhões por meio de recursos flexíveis, que podem ser usados para fortalecimento institucional de organizações lideradas por mulheres ou pessoas trans. Não há nenhum recorte de tema ou atuação e o grupo nem precisa ser formalizado.

Detalhes sobre o edital Mulheres em Movimento 2022 estão disponíveis no site: http://fundosocialelas.org/mulheres-em-movimento/

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