O novo ciclo de investimentos da mineração brasileira tem reforçado o papel estratégico da engenharia dentro dos empreendimentos. Mais do que atuar na etapa final de detalhamento, ela passa a ser demandada desde os primeiros estudos, quando ainda estão em definição temas como viabilidade, segurança, interfaces com stakeholders, licenciamento, implantação e operação. Nesse cenário, ganham relevância empresas capazes de integrar diferentes disciplinas sob uma mesma lógica de projeto, especialmente em operações que exigem respostas simultâneas para geotecnia, gestão hídrica, infraestrutura, cronograma e custo.
É nesse ambiente que a BRIDGE tem ampliado sua atuação. Com sede em Belo Horizonte, o grupo reúne mais de 300 profissionais e cerca de 200 projetos ativos, consolidando-se como um ecossistema que conecta competências complementares em diferentes frentes da engenharia, com atuação em setores como mineração, mobilidade, saneamento e infraestrutura.
"Na visão do IBRAM, a engenharia consultiva multidisciplinar é fundamental para o sucesso dos projetos minerários, pois contribui desde os estudos de viabilidade até o licenciamento e a implantação das operações", afirma Pablo Cesário, diretor-presidente do IBRAM. "E sua atuação permite integrar aspectos de geologia, mineração, geotecnia, meio ambiente, recursos hídricos, logística e relacionamento social, reduzindo riscos e aumentando a qualidade das decisões de investimento", acrescenta.
O pano de fundo desse movimento é um mercado mineral em transformação. "A mineração brasileira vive um momento particularmente relevante, impulsionado pela crescente demanda global por minerais essenciais à transição energética, à digitalização da economia, à segurança de suprimentos e à reindustrialização", pontua o diretor-presidente do IBRAM.
Em 2025, o setor faturou R$ 298,8 bilhões, alta de 10,3% sobre 2024, e sustentou mais de 229 mil empregos diretos, segundo o IBRAM. Para 2026 a 2030, a estimativa de investimentos soma US$ 76,9 bilhões, avanço de 12,5% sobre o ciclo anterior. Para Cesário, a engenharia consultiva tem papel decisivo para garantir projetos mais seguros, competitivos e alinhados às exigências regulatórias e socioambientais atuais.
O papel da DF+
Dentro desse arranjo, a DF+ aparece como a empresa do grupo mais diretamente ligada ao setor mineral. O gerente de geotecnia da DF+, Felipe Cruz, destaca que a empresa atua "em todos os ramos da mineração", de cavas a pilhas, passando por alteamento, reforço, construção e descaracterização de barragens, além de modelagens numéricas e estudos de carregamento dinâmico e estático e acompanhamento técnico contínuo de ativos geotécnicos.
"Em vez de vender a ideia de soluções padronizadas, procuramos defender uma engenharia conectada à realidade de implantação, à segurança operacional e à necessidade de tornar os projetos mais factíveis ao longo de toda a sua vida útil", menciona o vice-presidente de Engenharia da BRIDGE, Henrique Alves.
Felipe também resume a lógica de trabalho da empresa em uma frase que ajuda a entender seu posicionamento: "segurança é inegociável". A partir daí, o ponto defendido por ele é que segurança não precisa ser confundida com soluções automaticamente superdimensionadas. O objetivo, segundo ele, é trabalhar com cenários representativos para cada material e cada estrutura, de modo a reduzir uso desnecessário de recursos, área impactada e emissões associadas às obras, sem comprometer a estabilidade.
Essa visão aparece internamente sob o conceito de "Engenharia de Performance". Para Henrique Alves, "a Engenharia de Performance nos coloca como parceiros confiáveis que apoiam nossos clientes a viabilizar projetos complexos com segurança e sustentabilidade".
Márcio Mansur, engenheiro geotécnico master da DF+, chama atenção para um ponto que tem pesado cada vez mais no setor: o aumento dos custos de implantação após os acidentes que levaram a uma revisão mais rigorosa das práticas e exigências da mineração. Na avaliação dele, isso exige uma engenharia capaz de responder à segurança sem perder de vista a viabilidade do negócio, incorporando desde o início soluções que sejam viáveis do ponto de vista da construção e mais eficientes sob a ótica operacional. "A gente chama de Engenharia de Valor", explicou, ressaltando que esse valor não é apenas econômico, "mas também envolve segurança do trabalhador e a própria imagem da empresa diante de um ambiente cada vez mais atento a práticas responsáveis".
Felipe Cruz lembra ainda que a DF+ também atua na interface entre empreendedor e órgãos regulatórios, participando de apresentações e discussões técnicas para contribuir com a pacificação das estruturas e com a qualificação do diálogo regulatório. "Esse é um aspecto menos visível da engenharia, mas bastante revelador do papel que consultorias especializadas passaram a exercer num setor em que a robustez técnica precisa ser demonstrada de forma clara e contínua", sustenta.
O próximo ciclo
Com o elevado investimento previsto para os próximos quatro anos, avanço acelerado em minerais críticos e novas fronteiras greenfield em regiões de baixa infraestrutura preexistente, o setor mineral brasileiro entra em uma fase em que a engenharia deixa de ser um centro de custo e passa a ser um fator de risco ou de vantagem competitiva, dependendo de quando e como ela entra no projeto.
Isso reforça a importância de empresas de engenharia e consultoria capazes de atuar "como parceiras da segurança e da sustentabilidade dos empreendimentos, oferecendo avaliações independentes, critérios técnicos sólidos, gestão de riscos e melhoria contínua", destaca Pablo Cesário.
Ao reunir essas competências sob a mesma governança, a BRIDGE busca responder a um perfil de projeto em que as fronteiras entre mina, acesso, logística e suporte físico são cada vez mais tênues. Dessa forma, BRIDGE e DF+ apostam em uma engenharia voltada a reduzir riscos, melhorar o modo de construir e dar mais previsibilidade às entregas, em um setor em que o projeto precisa se provar na obra e na operação.




















