A provedora de tecnologias de eletrificação e automação industrial ABB firmou convênio com o Instituto Ser+ para apoiar a terceira edição do projeto TransCarreiras, da entidade, voltado à inserção de população trans no mercado de trabalho.
Pelo convênio, a ABB vai custear integralmente cinco bolsas de graduação tecnológica para pessoas trans e travestis da Grande São Paulo com mais de 18 anos, que serão selecionadas pelo Ser+ e acompanhadas durante os cursos, ao longo dos quais também vão receber suporte psicológico, ajuda de custo de R$ 500 mensais e outras capacitações.
As inscrições seguem abertas até 17 de julho, no site do projeto TransCarreiras. A terceira edição do programa vai oferecer um total de sete bolsas de estudo, duas delas custeadas pelo banco Bradesco, além das cinco viabilizadas pela ABB. As graduações têm previsão de iniciar em agosto, sem qualquer custo para os participantes.
A ABB também vai participar das capacitações do projeto e encorajar a busca de vagas na empresa. "A ABB tem a diversidade e a inclusão no centro de sua estratégia e reforça que todas as pessoas são bem-vindas. Aqui procuramos construir um ambiente de tolerância zero com o preconceito e que ofereça ferramentas para as pessoas inovarem e se desenvolverem continuamente", afirma Juliana Molognoni, líder de RH da ABB no Brasil.
Para Daniela Pereira, superintendente sênior de Diversidade, Equidade e Inclusão do Bradesco, o programa mira a promoção de uma inclusão concreta. "Ao apoiar o TransCarreiras, reforçamos nosso compromisso em promover inclusão com ações práticas, contribuindo para que mais pessoas tenham acesso a oportunidades de desenvolvimento profissional e possam construir suas trajetórias com autonomia".
Nas duas primeiras edições, o TransCarreiras reuniu 22 participantes, dos quais metade está empregada no regime CLT. O programa nasceu para enfrentar a vulnerabilidade prevalente entre pessoas trans e travestis, cujas histórias costumam compartilhar a expulsão de casa na adolescência, a evasão escolar, o alijamento do trabalho e a sobrevivência via prostituição, alternativa de renda para 90% dessa população em algum momento da vida, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra).
Aqueles que conseguem ingressar no mercado de trabalho sob o regime da CLT formam uma parcela de apenas um quarto da população trans brasileira, índice 6,8% inferior à taxa geral de emprego formal no Brasil, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), feito a partir do cruzamento de CPFs e de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do ano de 2023.
Ainda segundo esse levantamento, a renda média mensal da população trans e travesti brasileira com carteira assinada no ano estudado foi de R$ 2.707, valor 32% inferior à média nacional. A desigualdade se aprofunda no recorte de gênero. As mulheres trans apresentam participação de 20,7% no mercado formal, contra 31,1% dos homens trans.
"Pessoas trans e travestis seguem sendo as que mais sofrem com a falta de acesso à educação e ao trabalho formal. Nosso papel é abrir essa porta e caminhar junto, com bolsa, formação e cuidado, em toda a jornada", ressalta Wandreza Ferreira, CEO do Instituto Ser+.



















