Saúde não é ausência de doença: acompanhamento faz diferença
Saúde não é ausência de doença: acompanhamento faz diferença

Muitas pessoas associam saúde à ausência de doença. Sentem-se bem, não apresentam sintomas e concluem que está tudo em ordem. No entanto, especialistas alertam que saúde e doença não são conceitos opostos. "Uma pessoa pode estar sem sintomas e, ainda assim, desenvolver silenciosamente condições como hipertensão, diabetes, obesidade ou doenças cardiovasculares", afirma o médico Lucas Moser.

Essa visão é reforçada pela própria definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera saúde um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades.

"O maior erro que as pessoas cometem é procurar o médico apenas quando sentem algo. Muitas doenças permanecem silenciosas por anos. Quando surgem os sintomas, frequentemente já houve algum grau de comprometimento do organismo", explica o Dr. Lucas Moser.

Um país cada vez mais afetado por doenças crônicas

A importância da prevenção se torna ainda mais evidente diante do perfil de saúde da população brasileira.

Dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que 29,7% dos brasileiros adultos já receberam diagnóstico médico de hipertensão arterial e 10,4% convivem com diabetes. A obesidade também continua em crescimento: passou de 11,8% da população adulta em 2006 para 24,3% em 2023, um aumento de aproximadamente 106% em 17 anos. Esses números são resultado do sistema Vigitel, principal monitoramento nacional dos fatores de risco para doenças crônicas.

Segundo o médico, o problema é que grande parte dessas condições evolui lentamente.

"Hipertensão, diabetes, colesterol elevado e outras doenças podem permanecer sem sintomas durante muito tempo. O acompanhamento regular permite identificar alterações precocemente e agir antes que elas provoquem complicações graves", afirma Dr. Lucas Moser.

Continuidade do cuidado melhora resultados

A continuidade do acompanhamento médico é considerada um dos pilares da Atenção Primária à Saúde, modelo adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e reconhecido internacionalmente.

Em 2019, a Pesquisa Nacional de Saúde, mostrou que 83,6% dos brasileiros adultos haviam se consultado duas ou mais vezes com o mesmo médico nos 12 meses anteriores, indicador considerado relevante para a construção de vínculo entre profissional e paciente.

"Quando o paciente procura assistência apenas para resolver um problema já instalado, perdemos oportunidades importantes de prevenção. O acompanhamento contínuo permite que o médico conheça o histórico, os hábitos, os fatores de risco e até aspectos emocionais do paciente. Isso aumenta a precisão dos diagnósticos e melhora a adesão aos tratamentos", explica o médico Lucas Moser.

Saúde como construção diária

O médico destaca ainda que consultas periódicas não servem apenas para solicitar exames. Elas representam uma oportunidade de discutir hábitos alimentares, atividade física, saúde mental, vacinação, qualidade do sono e fatores de risco familiares.

A Vigilância de Doenças Crônicas Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, ressalta que o monitoramento contínuo dessas condições é essencial para orientar políticas públicas e reduzir a morbidade e mortalidade da população brasileira.

Para o Dr. Lucas Moser, a principal mensagem é simples: "Não devemos procurar atendimento apenas para tratar doenças. A saúde é construída diariamente. Consultas preventivas e acompanhamento regular são investimentos que ajudam as pessoas a viver mais e melhor."