O Índice de Confiança do Setor de Consórcios (ICSC) da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) chegou a 53,8 pontos em junho, em sua décima edição. Registrou oscilação negativa de 10,8 pontos sobre o resultado alcançado em fevereiro, mas ainda seguindo acima dos 50 pontos.
A recente apuração, sempre baseada em respostas recebidas de empresas associadas, sinalizou momentos de cautela para o consórcio nos próximos meses de 2026. Apesar de considerar o atual momento econômico desafiador, o nível de confiança dos executivos do setor permaneceu otimista. Exemplo recente foi a divulgação do total de participantes ativos, que superou a marca inédita de 13 milhões em junho.
Para o economista da ABAC, Luiz Antonio Barbagallo, o momento exige cautela. "Estamos vivendo um período de atenção na economia brasileira. Diante das eleições que se aproximam, a retração observada no índice não deve ser motivo de alarme, mas sim de prudência. O resultado reflete um cenário que recomenda cautela até que haja maior definição do ambiente econômico e político", avaliou. Apesar da retração, o índice permaneceu em território positivo, ligeiramente acima da marca de 50 pontos, indicando que as expectativas seguem favoráveis, ainda que mais moderadas.
Mais uma vez, as percepções sobre a economia brasileira — marcada pela desaceleração da atividade e pela expectativa de manutenção dos juros em patamares elevados ao longo do ano — foram determinantes para a queda do índice. Vale lembrar que o ICSC é composto por questões relacionadas a três dimensões: o sistema de consórcios, as administradoras e a economia brasileira.
"Em praticamente todas as respostas sobre a economia, a tônica foi negativa. Ainda assim, as expectativas para o sistema de consórcios permaneceram positivas, com perspectiva de continuidade do crescimento, sustentadas pelo aumento da renda da população e pelos baixos níveis de desemprego. Apesar disso, o segmento também sente os efeitos do cenário de incerteza econômica", complementou o economista.
Além dos indicadores estatísticos divulgados mensalmente, Barbagallo lembrou que os estudos realizados pela ABAC no início do ano já sinalizavam um cenário mais desafiador para 2026. "As projeções indicavam um desempenho mais moderado ao longo do ano e, em alguns segmentos, até mesmo a ausência de crescimento no sistema de consórcios. Um exemplo é o de Veículos Pesados, que engloba caminhões e máquinas agrícolas", destacou o especialista.
No ICSC, a escala varia de 0 a 100 pontos. Índices acima de 50 pontos indicam melhora na confiança dos empresários, enquanto resultados abaixo desse patamar refletem perda de confiança. Assim, apesar da redução observada, o ICSC permaneceu acima dos 50 pontos, evidenciando que as administradoras de consórcios associadas à ABAC seguem confiantes.














