Setores produtivos ampliam ações ambientais em Minas Gerais
Setores produtivos ampliam ações ambientais em Minas Gerais

No debate global sobre mudanças climáticas e preservação ambiental, Minas Gerais reúne exemplos de como setores produtivos podem avançar em sustentabilidade sem abrir mão da competitividade. No mês em que é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, organizações mineiras mostram que a agenda ambiental deixou de ser discurso institucional para se tornar fator estratégico de negócio.

Segundo o vice-presidente da área das Incorporadoras da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Fabiano Barbosa Ambrósio, as incorporadoras mineiras evoluíram de maneira consistente na pauta de sustentabilidade. "Hoje já é comum encontrar projetos com soluções como eficiência energética, redução de consumo de água com sistemas de reuso, uso de iluminação e ventilação naturais, além da busca pelas principais certificações e selos de construção sustentável", pontua.

Os ganhos são maiores quando as práticas entram desde a concepção. "Quando a sustentabilidade entra desde o início, os ganhos são concretos: reduções relevantes no consumo de energia e água, menor custo condominial, maior conforto térmico e melhor desempenho do edifício", destaca Ambrósio. O vice-presidente afirma ainda que isso se traduz diretamente em valor, tanto na percepção do cliente quanto na velocidade de vendas e na valorização do ativo.

Resíduos com destinação correta

No canteiro de obras, a Emccamp Residencial integra critérios de sustentabilidade às diferentes etapas do processo produtivo. "A sustentabilidade está integrada às nossas decisões desde as etapas iniciais de viabilidade até a fase final de implantação e operação dos residenciais. Os projetos passam por análises técnicas voltadas à redução dos impactos ambientais, buscando otimizar a movimentação de terra, reduzir supressão de vegetação e preservar recursos hídricos sempre que tecnicamente possível", detalha o coordenador de Meio Ambiente da Emccamp, Rodrigo Silvério.

Em 2024, a incorporadora registrou 100% dos resíduos de seus canteiros separados e destinados a locais autorizados. A empresa adota o sistema de parede de concreto em diversos empreendimentos, o que reduz em aproximadamente 50% a geração de resíduos frente a técnicas convencionais. Em relação à água, os empreendimentos contam com hidrômetros individualizados e torneiras com aeradores, que contribuem para a redução do consumo.

Já no campo energético, uma das obras da empresa já opera com dispositivo de energia solar para apoio ao canteiro, e a companhia estuda a implantação de placas fotovoltaicas temporárias durante a fase de construção dos próximos empreendimentos.

Um dos cases mais representativos é o Águas Residence, desenvolvido em sinergia com as nascentes do terreno. "Não se trata de compensar o impacto depois, mas de projetar para que ele seja o menor possível desde o início", ressalta Rodrigo. A Emccamp possui certificações PBQP-H Nível A, ISO 9001:2015 e Selo Casa Azul Caixa.

Descarbonização como estratégia de competitividade

Responsável por mais de 60% do escoamento da produção nacional, o transporte rodoviário também vira aliado da sustentabilidade como parte de sua estratégia. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, a pauta ambiental não é mais uma tendência futura.

"O transporte rodoviário tem consciência da sua responsabilidade ambiental e vem buscando alternativas para reduzir impactos sem comprometer a eficiência das operações. Hoje, sustentabilidade e competitividade caminham juntas. Quem não acompanhar essa transformação corre o risco de perder mercado, contratos e acesso a crédito", enfatiza o presidente.

O assessor jurídico-ambiental do Setcemg, Walter Cerqueira, aponta que o Brasil vive uma fase de transição. "As soluções adotadas até hoje são mais incrementais do que disruptivas. Há avanços importantes, mas ainda existem gargalos estruturais", avalia. Biodiesel, diesel verde, biometano e eletrificação já começam a compor a matriz do setor, impulsionados pela pressão de embarcadores e instituições financeiras que adotaram critérios ESG. "O ESG funciona como uma corrente: quando a empresa principal muda seu posicionamento, toda a cadeia passa a ser pressionada a se adequar", acrescenta Walter.

Minas Gerais na vanguarda da bioeconomia

Com 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas e mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa conservada, Minas Gerais ocupa posição estratégica na economia de baixo carbono. A Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF) defende o conceito de "florestas pensadas", planejadas para produzir madeira renovável, conservar recursos e recuperar áreas degradadas, como sintetiza a presidente-executiva, Adriana Maugeri. "Para cada 60 hectares de florestas cultivadas, o setor conserva outros 40 hectares de vegetação nativa. É o dobro do exigido por um dos códigos florestais mais rigorosos do mundo".

O presidente do Conselho Deliberativo da AMIF, Júlio Ribeiro, reforça o potencial do setor. "O futuro é feito de madeira. Hoje ela já substitui plástico, combustíveis fósseis, fibras sintéticas e carvão mineral. O mundo está buscando alternativas sustentáveis e Minas Gerais tem vocação natural para liderar esse movimento", acentua.

Um exemplo é o chamado ‘aço verde’. Empresas mineiras utilizam carvão vegetal de florestas cultivadas na siderurgia, substituindo o carvão mineral. "O Brasil é referência mundial nessa tecnologia e Minas Gerais concentra boa parte dessa expertise", frisa Júlio.

Adriana reitera ainda que sustentabilidade não é algo fora da rotina comum dos consumidores urbanos e que o maior desafio atual é aproximá-los dessa realidade. "Quando as pessoas entenderem que a roupa, o papel, a embalagem e até parte do aço que utilizam podem ter origem renovável, elas passam a enxergar as florestas de outra forma. Estamos falando de uma atividade essencial para o futuro do planeta", define a presidente.