A terapia hormonal voltou ao centro das discussões médicas nos últimos anos, impulsionada pelo envelhecimento da população feminina e pela busca por abordagens mais personalizadas e seguras para a saúde da mulher. Segundo estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), que acompanhou cerca de 876 mil mulheres ao longo de mais de uma década, a reposição hormonal não esteve associada ao aumento do risco de mortalidade ou de eventos graves de saúde quando corretamente indicada e acompanhada clinicamente. Nesse cenário, é importante que as decisões médicas sejam sempre baseadas em evidências científicas, histórico individual e avaliações mais aprofundadas do metabolismo hormonal.
Pensando nesse tipo de desafio, a Bioma Genetics — laboratório brasileiro especializado em genética médica — lança o Painel Multiômico Hormonal, exame de precisão que investiga as principais vias biológicas envolvidas na dinâmica dos hormônios femininos. Integrando predisposição genética com a expressão real clínica do corpo, o exame foi desenvolvido para apoiar a decisão médica, especialmente em contextos nos quais a verificação hormonal quantitativa e isolada é insuficiente para explicar sintomas, respostas terapêuticas ou perfis de risco.
"O painel combina genética com metabolômica hormonal para investigar como cada organismo lida com a exposição aos hormônios, desde a forma como eles são metabolizados e eliminados até a sensibilidade dos tecidos-alvo e possíveis riscos associados ao seu uso", explica Rafael Malagoli, CEO da Bioma Genetics.
Segundo ele, diferenças individuais podem influenciar diretamente na segurança e na eficácia da conduta médica em casos de terapia hormonal, transição menopausal, sintomas de dominância estrogênica, infertilidade, síndrome dos ovários policísticos e estratégias de prevenção em saúde da mulher.
Metodologia do painel
O exame se apoia na integração de duas plataformas analíticas com papéis distintos e complementares. Uma delas é a análise genética realizada por Sequenciamento de Nova Geração (NGS), a partir de DNA obtido de sangue ou swab. Essa etapa identifica variantes associadas a eixos centrais da fisiologia hormonal feminina, oferecendo uma leitura de predisposição.
A segunda parte é a análise metabolômica hormonal urinária, realizada por LC-MS/MS — técnica de alta sensibilidade e especificidade para quantificação simultânea de hormônios e metabólitos. Essa leitura fornece uma fotografia funcional do organismo naquele momento, permitindo observar como o corpo está, de fato, processando os hormônios dentro de um contexto clínico.
Com a integração das duas metodologias, é possível confirmar se uma predisposição genética está se manifestando metabolicamente, identificar compensações fisiológicas, reconhecer discrepâncias entre tendência genética e fenótipo funcional e aprofundar a interpretação clínica de sintomas, efeitos adversos e não respondedores.
Desafios da prática hormonal
De acordo com Malagoli, uma parte importante da prática hormonal ainda depende de avaliações fragmentadas. "O médico observa sintomas, dosa hormônios, ajusta prescrição e acompanha resposta. No entanto, muitos casos permanecem difíceis de explicar nos exames tradicionais", diz o executivo.
Ele lembra que algumas pacientes têm efeitos adversos com doses baixas, enquanto outras parecem não responder adequadamente. Também existem casos de sinais clínicos de dominância estrogênica apesar de níveis sem grandes alterações. Já algumas, ainda, têm histórico que exige maior cautela com a reposição.
"O Painel Multiômico Hormonal foi desenvolvido justamente para ampliar a compreensão desses casos. Em vez de tratar somente o valor laboratorial, o exame ajuda a compreender por que essa paciente reage de uma determinada maneira, onde pode estar o risco oculto, qual via metabólica precisa ser monitorada e como tornar a conduta menos empírica", informa o CEO da Bioma Genetics.
Aplicação na reposição hormonal
Entre as diversas aplicações, a reposição hormonal feminina pode ser considerada a mais evidente para o novo painel do laboratório, auxiliando decisões médicas como o planejamento, seleção de via de administração, ajuste de dose, monitoramento de metabolismo e eliminação. "Essa análise mais completa pode reduzir alguns riscos associados a reposição hormonal que vinham despertando receio entre médicos e medo entre pacientes", destaca Malagoli.
A terapia hormonal para menopausa já foi vista de formas muito diferentes pela medicina, e essa mudança de percepção aconteceu ao longo de várias décadas de pesquisas. Depois de acompanhar 876 mil mulheres por mais de uma década, um estudo publicado em fevereiro no British Medical Journal (BMJ) concluiu que a reposição hormonal não aumenta o risco de mortes e problemas de saúde graves quando indicados adequadamente.
A descoberta reforça uma prática já consolidada na medicina: quando a menopausa ocorre precocemente — especialmente por cirurgia — a reposição hormonal costuma ser recomendada.
Apesar de novas evidências, o consenso médico é que a terapia hormonal não deve ser indicada automaticamente para todas as mulheres. A principal indicação continua sendo o tratamento de sintomas moderados ou intensos da menopausa.





















