Longevidade impulsiona mercado de produtos de saúde
Longevidade impulsiona mercado de produtos de saúde

O envelhecimento da população começa a transformar não apenas a estrutura demográfica, mas também os hábitos de consumo e os mercados voltados à saúde e ao cuidado. Em 2026, pessoas com 60 anos ou mais respondem por 27% dos gastos de consumo no mundo, movimentando cerca de US$19 trilhões, segundo levantamento conjunto do World Data Lab, NielsenIQ e Silver Economy. No Brasil, as projeções do IBGE também apontam para uma mudança expressiva na estrutura etária da população.

O fenômeno é associado ao avanço da chamada Silver Economy, ou economia prateada, formada por produtos e serviços direcionados às necessidades e ao poder de consumo da população mais velha. Segundo o World Data Lab, os mercados específicos da economia prateada já movimentam cerca de US$ 4,5 trilhões globalmente. Entre os segmentos relacionados a esse movimento estão saúde, cuidados, adaptações para a vida cotidiana e tecnologias voltadas à longevidade.

A transformação também envolve a busca por autonomia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 2,5 bilhões de pessoas no mundo necessitem de pelo menos um produto de tecnologia assistiva, número que pode superar 3,5 bilhões até 2050. A entidade destaca que esses produtos têm como objetivo manter ou melhorar a funcionalidade e a independência dos usuários, especialmente diante do envelhecimento populacional e do aumento das doenças crônicas.

Entre as soluções estão equipamentos de mobilidade e apoio utilizados em diferentes situações, desde limitações permanentes até períodos de recuperação. Cadeiras de rodas, cadeiras de banho, andadores e muletas podem fazer parte da rotina de pessoas que precisam adaptar temporariamente ou permanentemente suas atividades, enquanto outros produtos, como meias de compressão e equipamentos para cuidados domiciliares, atendem necessidades específicas relacionadas à saúde e ao bem-estar.

O crescimento desse mercado também cria espaço para diferentes formas de acesso aos equipamentos. A compra pode fazer sentido quando o produto será utilizado por longo período, enquanto o aluguel pode atender situações temporárias, como recuperações após procedimentos, acidentes ou períodos de maior necessidade de cuidados em casa. Para a OMS, o custo é uma das principais barreiras globais ao acesso à tecnologia assistiva, reforçando a importância de ampliar as alternativas disponíveis aos usuários.

Em Brasília, esse movimento começa a aparecer também no mercado de produtos hospitalares. A Unicon, loja localizada na região conhecida como Rua das Farmácias, na Asa Sul, trabalha com a venda e o aluguel de produtos hospitalares, ortopédicos e de mobilidade, atendendo desde pessoas que procuram soluções para uso prolongado até famílias que precisam de equipamentos durante períodos específicos de recuperação ou cuidados em casa.

"A gente percebe que hoje o cliente chega com necessidades muito diferentes. Há quem procure uma cadeira de rodas para uso contínuo, mas também há famílias que precisam do equipamento por algumas semanas durante uma recuperação. Por isso, trabalhamos tanto com venda quanto com aluguel. É uma forma de acompanhar as diferentes realidades de quem precisa desses produtos", afirma Pedro Pedrosa, representante da Unicon.

A variedade de necessidades também aparece nos produtos procurados pelos consumidores. Cadeiras de rodas e de banho, andadores, muletas, meias de compressão e outros artigos voltados à mobilidade e aos cuidados domiciliares fazem parte de um mercado que atende não apenas idosos, mas também pessoas em recuperação, pacientes com limitações temporárias e familiares responsáveis pela rotina de cuidados.

"Às vezes, a pessoa chega procurando uma cadeira de rodas porque é o que ela conhece, mas quando conversamos sobre a rotina, descobrimos que ela também pode precisar de uma cadeira de banho, de um andador ou de outro produto que facilite o dia a dia. Nossa equipe é treinada para apresentar as características das opções disponíveis e ajudar o cliente a encontrar os produtos mais adequados às necessidades apresentadas e às orientações dos profissionais que acompanham cada caso", explica Pedrosa.

Para Pedrosa, a transformação do mercado também exige que as empresas encontrem novas formas de atender às diferentes necessidades desse público. "A Unicon tem buscado ser criativa para acompanhar esse mercado que está surgindo, tanto encontrando novas formas de fazer negócio, como a venda e o aluguel de equipamentos, quanto aprimorando um atendimento cada vez mais humanizado e personalizado. Nosso objetivo é entender a real necessidade de cada cliente e apresentar as opções que façam sentido para aquela situação", afirma. A estratégia também se reflete na diversidade do portfólio da empresa, que reúne produtos para mobilidade e cuidados domiciliares, além de artigos ortopédicos, meias de compressão e itens destinados a profissionais e estudantes da área da saúde.

A expansão da economia da longevidade indica, assim, uma mudança na própria relação do consumidor com os produtos de saúde. Em vez de concentrar a demanda apenas em situações de doença ou dependência permanente, o mercado passa a atender também pessoas que buscam preservar autonomia, adaptar temporariamente sua rotina ou tornar o cuidado em casa mais seguro e funcional.

Nesse cenário, a economia da longo vidade deixa de representar apenas uma consequência do envelhecimento populacional e passa a configurar um mercado próprio, com demandas por saúde, cuidados, mobilidade, tecnologia e soluções que permitam às pessoas viver por mais tempo com independência e qualidade de vida.