Marca própria de suplementos exige diagnóstico inicial
Marca própria de suplementos exige diagnóstico inicial

O consumo de suplementos alimentares deixou de ser hábito restrito a praticantes de atividade física e se firmou em boa parte das residências brasileiras. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) identificou a presença desses produtos em 59% dos lares do país, com ao menos um morador consumidor da categoria, alta de 10% sobre a primeira edição do estudo, de 2015.

A expansão do setor acompanha a mudança de comportamento do público, que incorporou a suplementação à rotina de cuidado com a saúde e adotou critérios mais rígidos de escolha. Quem pretende ingressar no ramo precisa, assim, estruturar uma marca capaz de manter posicionamento, margem e operação diante de empresas já instaladas.

Diagnóstico antecede a escolha do produto

Diretor comercial da Hilê, Alex Botta observa que a procura por marcas próprias cresce, mas costuma chegar à indústria com a ordem das decisões invertida. "O erro mais recorrente é começar pela pergunta errada. Muita gente chega perguntando qual produto está vendendo mais, qual fórmula está em alta ou qual é o menor investimento possível para começar. Essas perguntas são importantes, mas deveriam vir depois de uma definição mais básica: que marca essa pessoa quer construir, para quem ela quer vender e qual papel esse projeto terá na vida e no negócio dela", avalia.

Para o executivo, a ausência dessa definição inicial fragmenta o projeto. "Quando o empreendedor começa pelo produto sem ter clareza de posicionamento, público, canal de venda e capacidade financeira, ele tende a tomar decisões isoladas. E uma marca não cresce com decisões isoladas; ela cresce quando produto, proposta, preço, comunicação e operação seguem a mesma direção", acrescenta.

O perfil de quem busca a indústria também se alterou. Ao lado de distribuidores e lojistas, passaram a procurar o setor profissionais com audiência já formada. "Temos influenciadores, profissionais da saúde, personal trainers, nutricionistas, criadores de conteúdo, empreendedores digitais, especialistas e pessoas que construíram audiência antes mesmo de construírem uma empresa", relata Botta.

Conforme o próprio executivo, mais de mil marcas e projetos passaram por seu acompanhamento na companhia, experiência que permitiu mapear focos recorrentes de desperdício de capital, entre eles o tamanho do portfólio inicial. "Existe uma ansiedade natural de querer parecer uma marca completa desde o primeiro dia, então algumas pessoas querem lançar cinco, seis ou dez produtos de uma vez. Isso multiplica o custo de desenvolvimento, embalagem, estoque, capital de giro, comunicação e esforço comercial", pondera.

O canal de venda também condiciona a definição do item a ser fabricado. "Um produto pensado para marketplace precisa considerar competição por preço, reputação, avaliações, logística e velocidade de giro. Um produto destinado a farmácias precisa conversar com o comportamento daquele consumidor e com a dinâmica de margem do canal", assinala o diretor comercial.

Conformidade sanitária integra o projeto

A entrada nesse mercado envolve barreiras que vão além da oportunidade comercial. Os suplementos seguem requisitos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sobretudo a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243/2018, que trata de composição, qualidade e rotulagem. O marco regulatório autorizou 189 alegações de saúde nos rótulos e vedou mensagens que sugiram finalidade medicamentosa, o que impõe cautela na formulação e na comunicação.

A Hilê oferece o programa "Sua Marca, Seu Legado", mentoria voltada à estruturação de marcas próprias de suplementos e chás, da concepção à operação. A iniciativa atende quem parte de uma ideia e também quem já iniciou um empreendimento e busca organizar o estágio seguinte.

Etapas percorrem o ciclo da marca

O programa é organizado em encontros temáticos. Entre os módulos estão a definição de essência, nome, propósito e posicionamento; a seleção do portfólio e a adequação às normas sanitárias; o desenvolvimento de embalagem e rótulo; e a organização de produção e logística.

A sistematização do método partiu da repetição das dúvidas recebidas. "Depois de mais de dez anos acompanhando marcas dentro da indústria, ficou claro para mim que eu poderia organizar essa experiência em um método mais estruturado e ajudar essas pessoas antes que cometessem erros caros", explica.

O resultado esperado, segundo Botta, está menos em uma lista de tarefas e mais no modo de conduzir o negócio. "A principal transformação deve ser sair de uma postura baseada em tentativa e passar a tomar decisões como dono de marca. Isso significa entender que cada escolha tem impacto financeiro, comercial e estratégico", sustenta. Conforme o diretor comercial, o programa foi desenhado para que o empreendedor deixe de enxergar apenas o primeiro lote e passe a tratar a marca como ativo de longo prazo.

Sobre a Hilê

Integrante do Grupo Botta e sediada em Xanxerê, em Santa Catarina, a Hilê atua há mais de 27 anos na terceirização de suplementos e chás. Conforme informações da própria empresa, desenvolve produtos e embalagens para mais de 300 marcas no Brasil e no exterior, em estrutura fabril de 8.500 metros quadrados que segue as Boas Práticas de Fabricação (BPF). O portfólio abrange encapsulados, solúveis, gomas, chás, farinhas e proteínas.

Para mais informações, basta acessar: https://hile.com.br/