novas tecnologias

Por Edgar Silva *

Quem acompanha o mercado de tecnologia, certamente já deu de cara algumas vezes com o termo API, da sigla Application Programming Interface. O nome é difícil, mas há uma palavra nessa ideia que precisa ficar claro – e não tem nada a ver com aplicação. Estamos falando de interface, que significa a capacidade de comunicação, de conectividade. É este conceito, afinal, que a cada dia se torna ainda mais fundamental para a aceleração da transformação digital.

Tomemos como exemplo a digitalização acelerada pela pandemia. Neste último ano, vimos que alguns negócios digitais cresceram de forma exponencial, como os serviços de delivery que estão chegando em sua casa. Devido ao isolamento, a experiência de consumo foi mudada radicalmente, fazendo com que várias pessoas começassem a pensar exclusivamente em fazer as compras de forma on-line, mesmo que isso significasse ter de pagar taxas de entrega.

Na cadeia de abastecimento, essas companhias têm o papel de prover a entrega, porém “o catálogo de produtos” precisa ser oferecido por outra parte. E é aí que vem o grande desafio: os varejistas que tinham APIs que permitiam a operação, listagem, compra de produtos, acabaram entrando na carona do crescimento deste mercado, mudando de uma vez por todas a visão do varejo digital. De acordo com a MCC-ENET, o e-commerce no Brasil cresceu quase 75% em 2020, e acredito que esse número poderia ser ainda maior, se um maior número de empresas já estivessem totalmente conectáveis.

Em um mundo que demanda integração, as APIs são os elos que permitem tornar os negócios em operações realmente conectáveis. Para explicar o porquê disso, podemos recorrer a uma analogia bem clara: “uma empresa que não tem uma API hoje em dia, é o mesmo que não ter um site no final da década de 90”.

É muito importante que os negócios possam nascer conectáveis e integráveis desde a idealização de suas operações. Ainda que a empresa não gere nenhum negócio por meio de APIs, o risco de perder uma grande oportunidade é também eminente. O custo marginal, de adicionar uma camada de APIs às arquiteturas de soluções dos dias de hoje, é baixo – então não implementar APIs pode impedir o crescimento do negócio. É como deixar um plug pronto para qualquer outro negócio, empresa ou parceiro para expandir as ofertas (a qualquer momento).

Vale dizer que isso não significa, apenas, contar com sua API de maneira isolada. Muito ao contrário. Ao combinar (conectar) sua interface com uma outra, o impacto passa a ser exponencial. Pense nas oportunidades de uma API de Geolocalização de maneira isolada e, depois, imagine as outras possibilidades abertas ao relacionar essa mesma aplicação com outras iniciativas para Pagamento Eletrônico, reconhecimento facial, identificação de voz etc. Essa é a grande maravilha das APIs.

Ampliar a visão orientada às APIs é uma oportunidade que não podemos deixar passar. No Brasil, por exemplo, estamos em processo de adoção do Open Banking e – em um português bem claro – isso implica dizer que teremos como resultado a criação de Bancos Conectáveis. Com este tipo de cenário, teremos um oceano azul para inovações e um novo grau de competitividade. Ou seja, poderemos ver no mercado bancos pequenos e médios com a capacidade de concorrência em canais totalmente novos, e obviamente, os grandes players terão que melhorar, e muito, a qualidade de oferta e tarifas ao consumidor.

Na carona das regulações, estamos vendo um movimento também para áreas de saúde: Open Health, também motivada bastante pelo atual cenário global, a grande vantagem é que na saúde existem vários protocolos de interoperabilidade, como o FHIR, com as pessoas cada vez mais autônomas sobre o uso de seus dados e registros. Mercados como o de Seguros também estão na esteira de também passarem por esse movimento de abertura e conectividade, e todos esses plateaus de inovação possuem APIs e Integrações como os grandes propulsores.

Ao mesmo tempo que as APIs surgem como os grandes legos de conectividade, crescem também as preocupações a respeito de segurança, e o quão seguras elas podem ser diante de investidas e ataques de Hackers. De acordo com o Gartner: “Até 2022, as APIs serão o maior vetor de ataques cibernéticos”.  Tecnologias tradicionais de segurança como WAF (Web Application Firewall), e APIs Gateways tradicionais, podem não ser suficientes para protegerem suas APIs.

Somente no Brasil, já tivemos inúmeros ataques, que resultaram no vazamento de dados de 8 milhões de clientes de uma grande operadora de TV a cabo, e cerca de 24 milhões de clientes em uma outra grande operadora de telefonia móvel. Para ajudar neste segmento, surge uma nova indústria e categoria de soluções que focam em proteger suas APIs, afinal de contas, regulações como LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), tendem a forçar com que as empresas atentem de maneira pervasiva em relação a como estão disponibilizando suas APIs, neste sentido como este é um canal novo, os ataques terão também outros graus de sofisticação.

Encontrar formas de criar links seguros é o desafio agora. Seja como for, no entanto, o fato é que ser conectável não é mais uma opção. É preciso pensar em APIs e agarrar as oportunidades. Afinal de contas, como disse o pensador Sun Tzu, “as oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas”. O caminho está marcado e é hora de acompanhar essa jornada, pensando em investir no engajamento de consumidores e fortalecendo as iniciativas para transformar sua empresa em um negócio conectável e realmente parte do futuro.

* Edgar Silva é sócio-fundador da Skalena

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