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Baleias s√£o 100% protegidas no Brasil h√° mais de 30 anos

Baleias s√£o 100% protegidas no Brasil h√° mais de 30 anos


Pa√≠s se prop√īs a barrar todos os tipos de ca√ßa aos mam√≠feros marinhos em territ√≥rio brasileiro. Estamos entre as na√ß√Ķes que mais adotaram estrat√©gias para conserva√ß√£o de baleias.


por 18 de janeiro de 2019 0 coment√°rios

O Brasil pro√≠be a ca√ßa comercial de baleias desde 1986, sendo uma das na√ß√Ķes pr√≥-conservacionistas mais ativas na prote√ß√£o desses mam√≠feros marinhos. Participante da Comiss√£o Internacional da Baleia (CIB), em 2018 o pa√≠s teve um papel importante ao propor a ‚ÄúDeclara√ß√£o de Florian√≥polis‚ÄĚ, a qual restringe ainda mais a ca√ßa destes animais em √°guas internacionais. O posicionamento foi um dos gatilhos que fizeram o Jap√£o abandonar a CIB em 2019, gerando uma preocupa√ß√£o na conserva√ß√£o das baleias.

Para entender este cen√°rio, desde 1986 a Comiss√£o mant√©m uma morat√≥ria internacional que pro√≠be a ca√ßa comercial de baleias, assim como restringe a ca√ßa para pesquisa e a ca√ßa abor√≠gene de subsist√™ncia, realizada por pa√≠ses como Groel√Ęndia, Isl√Ęndia e Noruega.

Essa restri√ß√£o √© feita por meio de cotas pr√©-estabelecidas, que levam em conta o n√ļmero total aproximado de animais da popula√ß√£o, estipulando uma quantidade sustent√°vel de retirada, que n√£o coloque a esp√©cie em risco. Contr√°rio √† proibi√ß√£o, o governo japon√™s anunciou a sa√≠da da CIB para retomar a ca√ßa comercial de baleias em 2019, restringindo as a√ß√Ķes √† zona econ√īmica exclusiva do Jap√£o.

De acordo com a bióloga Camila Domit, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza*, a decisão do Japão preocupa os pesquisadores que trabalham em prol da conservação dos mamíferos marinhos por afetar animais de todo o mundo. “Nós sabemos que as espécies de baleias são, em grande parte, migratórias.

Ou seja, a retirada de indiv√≠duos, mesmo que seja na zona econ√īmica exclusiva e nas √°guas do territ√≥rio japon√™s, gera uma perda de animais que fazem parte de popula√ß√Ķes globais, afetando o ecossistema marinho mundial‚ÄĚ, destaca.

Caça gera desequilíbrio
A bi√≥loga explica que a retirada gera um impacto instant√Ęneo devido ao contraste na quantidade de mortes e nascimentos. ‚Äú√Č realmente preocupante quando a gente v√™ uma inten√ß√£o de ca√ßa desses animais porque, independentemente de serem popula√ß√Ķes que j√° se recuperaram da √©poca das ca√ßas em larga escala, entre as d√©cadas de 1950 e 1970, eles s√£o mam√≠feros marinhos que demoram no m√≠nimo de 6 a 8 anos para come√ßarem a fase reprodutiva e s√≥ se reproduzem a cada 3 anos, com um filhote por vez. Ent√£o, a taxa de recupera√ß√£o √© muito lenta e a retirada, se excessiva, causa um dano muito r√°pido de decl√≠nio populacional‚ÄĚ, afirma.

A previs√£o do Jap√£o √© de que a ca√ßa comercial seja retomada a partir do dia 30 de julho deste ano. A decis√£o foi justificada com o argumento de que a Comiss√£o Internacional da Baleia (CIB) n√£o garantiu um equil√≠brio entre a preserva√ß√£o dos estoques de baleias e o desenvolvimento da ind√ļstria. O assunto foi discutido no Brasil, em setembro de 2018, durante a Confer√™ncia Global e o parecer foi divulgado em dezembro.

Na mesma ocasi√£o, o Brasil prop√īs duas a√ß√Ķes em prol da conserva√ß√£o das baleias: a Declara√ß√£o de Florian√≥polis e o Santu√°rio do Atl√Ęntico Sul. A primeira, aprovada, refor√ßa a morat√≥ria de ca√ßa de baleias, estendendo a proibi√ß√£o que era espec√≠fica √† retirada de animais com fins comerciais para a ca√ßa com fins cient√≠ficos.

O documento apresentado pelo Brasil, que foi defendido por outras 40 na√ß√Ķes, declara a exist√™ncia de outros m√©todos de pesquisa n√£o-letais, que contribuem com a prote√ß√£o das baleias. A partir da aprova√ß√£o, todos os pa√≠ses participantes da CIB est√£o proibidos de praticar a ca√ßa, com exceto as na√ß√Ķes que a usam com fins de subsist√™ncia.

Santu√°rio do Atl√Ęntico Sul
A segunda proposta liderada pelo Brasil, junto com pa√≠ses da Am√©rica Latina e da √Āfrica, foi a cria√ß√£o do Santu√°rio do Atl√Ęntico Sul, que consiste na cria√ß√£o de uma √°rea de prote√ß√£o √†s baleias localizada no Oceano Atl√Ęntico Sul. O local manteria apenas atividades voltadas para o turismo sustent√°vel e para a pesquisa de mam√≠feros marinhos, protegendo assim 51 esp√©cies de baleias e golfinhos. Por√©m, a iniciativa, que vem sendo discutida pelo Brasil desde 1998, foi novamente vetada pelos pa√≠ses pr√≥-ca√ßa.

Participante das reuni√Ķes da CIB como delegada brasileira, Camila Domit destaca que o Pa√≠s possui um posicionamento claro na conserva√ß√£o dos mam√≠feros marinhos. ‚ÄúApesar de o Brasil ter demorado um pouco para aderir √† Comiss√£o Internacional da Baleia em rela√ß√£o √† outros pa√≠ses, atualmente ele tem um papel fundamental no grupo de conserva√ß√£o, levantando muitos pontos de discuss√£o e defendendo a ideia de prote√ß√£o da biodiversidade marinha de forma geral‚ÄĚ.

Equilíbrio Ambiental
As baleias são responsáveis por garantir um equilíbrio ambiental, atuando como indicadores ecossistêmicos. Dessa forma, a ausência desses animais pode causar a extinção de algumas espécies e o desenvolvimento em larga escala de outras. Em território nacional, o Brasil adota estratégias para proteger baleias, golfinhos, tartarugas, aves marinhas e maneja a pesca de espécies comerciais para garantir a sobrevivência dos animais marinhos mais explorados.

*A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza é uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

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