O Brasil ocupa o 1º lugar do ranking de países com a população mais ansiosa do mundo. Segundo o último levantamento realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), são 18,6 milhões de pessoas com algum tipo de transtorno emocional, mas quando procurar ajuda ainda é um tabu.

Dá para entender, portanto, porque a psicóloga carioca Ana Café enfatiza a importância da campanha Janeiro Branco, que tem por objetivo chamar atenção para a saúde mental e promover conhecimento e compreensão sobre temas como depressão, ansiedade e fobias.

Ainda de acordo com a OMS, uma a cada quatro pessoas vai sofrer com algum transtorno mental durante a vida. Só a depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo e é a principal causa de algum tipo de incapacidade, e os números vêm crescendo ainda mais por conta da pandemia mundial da covid-19.

Mesmo assim, os investimentos dos países no tratamento não correspondem à alta demanda. Para Ana Café, “um dos principais focos da campanha visa alertar principalmente os jovens, e alertar que depressão é uma doença e tem tratamento”, explica a psicóloga.

A escolha do mês de janeiro não é por acaso, já que o fim do ano e início de um novo pode causar ou aumentar a ansiedade pela frustração de não ter cumprido metas ou anseio por mudanças, principalmente na atual circunstância em que é preciso seguir regras de isolamento social e muitas famílias estão perdendo parentes e pessoas próximas. “Embora seja liderada por psicólogos, a ideia é que, aos poucos, essa cultura sobre a saúde mental seja fortalecida e disseminada na sociedade brasileira, com desmistificação de crenças populares e estigmas sobre o assunto”, ressalta Ana.

A demora em procurar ajuda piora a condição do paciente. “As duas frases que eu mais ouço na clínica são: ‘eu não queria tomar remédio’, na primeira consulta, e ‘eu não queria parar de tomar os remédios’, na consulta seguinte. A gente tem muita resistência porque existem muitos mitos: ficar viciado, bobo, impotente, engordar. Isso tem que acabar, porque depressão é doença e deve ser tratada da forma adequada”, finaliza.