NOVIDADES

Mostra sobre o Egito Antigo em S√£o Paulo estreia dia 19/02/2020

Mostra sobre o Egito Antigo em S√£o Paulo estreia dia 19/02/2020


Egito Antigo: do cotidiano à eternidade Рde 19/02/2020 a 11/05/2020
by 5 de fevereiro de 2020 0 comments

Ao todo, a mostra re√ļne 140 pe√ßas que t√™m em comum a relev√Ęncia para o entendimento da cultura eg√≠pcia, que manteve parcialmente os mesmos modelos religiosos, pol√≠ticos, art√≠sticos e liter√°rios por tr√™s mil√™nios. Neste ano, a exposi√ß√£o ainda ser√° exibida nos CCBBs de Bras√≠lia e Belo Horizonte.

Aspectos da historiografia geral do Egito Antigo ser√£o apresentados de forma did√°tica e interativa, por meio de esculturas, pinturas, amuletos, objetos cotidianos, um Livro dos Mortos em papiro, objetos lit√ļrgicos e √≥stracons (fragmento de cer√Ęmica ou pedra usados para escrever mensagens oficiais), al√©m de sarc√≥fagos, m√ļmias de animais e uma m√ļmia humana da 25¬™ dinastia.

‚ÄúO principal objetivo √© possibilitar a um p√ļblico grande e diverso, um entendimento qualificado sobre a cultura eg√≠pcia‚ÄĚ, explica Pieter Tjabbes, curador da mostra junto com Paolo Marini. ‚ÄúOrganizamos as obras em diversos recortes, diferentes inst√Ęncias, ultrapassando limites temporais e regionais‚ÄĚ, completa. Uma r√©plica da tumba de Nefertari e uma pir√Ęmide cenogr√°fica fazem parte da exposi√ß√£o.

Modelo de embarcação com barqueiros Asyut, tumba de Mentuhotep e Wepwawetemhat (Tumba 2b) I Período Intermediário (2160-2055 a.C.) Madeira, gesso, pintura, 32 x 84 x 19 cm © Museo Egizio

 Egito Antigo
Por volta de 4000 a.C., os povos do Egito viviam em pequenas unidades pol√≠ticas, os nomos, e eram governados por monarcas, que se reuniram em dois reinos, o Baixo Egito, ao norte, e o Alto Egito, ao sul. Reconhecido como ber√ßo de umas das primeiras grandes civiliza√ß√Ķes da Antiguidade, o Egito Antigo se formou a partir da unifica√ß√£o do Alto Egito e Baixo Egito, no reinado de Men√©s (Narmer, em grego), o primeiro fara√≥, entre 3.100 a.C. e 3.000 a.C. ‚Äď e se desenvolveu at√© 30 a.C., ap√≥s a derrota de Cle√≥patra pelo Imp√©rio Romano, na Batalha de Alexandria.

Foram quase 3.000 anos de relativa estabilidade pol√≠tica, prosperidade econ√īmica e florescimento art√≠stico, alternados por per√≠odos de crises. O legado dessa civiliza√ß√£o desperta fasc√≠nio at√© hoje e teve grande influ√™ncia na moda, no design, na arquitetura e em cultos europeus, como a ma√ßonaria e a Rosa Cruz, sendo que, a partir do s√©culo 19, virou mania na Europa (egiptomania).

Muitas das pe√ßas de Egito Antigo: do cotidiano √† eternidade s√£o resultantes de escava√ß√Ķes do s√©culo 19 e in√≠cio do s√©culo 20 e todas s√£o oriundas do Museu Eg√≠pcio de Turim (Museo Egizio), na It√°lia. Fundado em 1824 por Carlo Felice di Savoia, rei da Sardenha, o museu italiano re√ļne a segunda maior cole√ß√£o egiptol√≥gica do mundo (depois do Museu do Cairo), com cerca de 40.000 artefatos do Egito Antigo.

Seu acervo √© resultado da jun√ß√£o das pe√ßas da Casa Savoia (adquiridas desde o s√©culo 17) √†s da cole√ß√£o que o monarca comprara das escava√ß√Ķes de Bernardino Drovetti, c√īnsul da Fran√ßa no Egito (1820-1829) ‚Äď e outra parte do acervo foi descoberta pela Miss√£o Arqueol√≥gica Italiana (1900-1935), quando ainda era poss√≠vel a divis√£o dos achados arqueol√≥gicos.

Amuleto da deusa √ćsis Per√≠odo Tardio (664-332 a.C.) Faian√ßa, a. 7,7 cm ¬© Museo Egizio

A exibi√ß√£o √© dividida em tr√™s se√ß√Ķes: vida cotidiana, religi√£o e eternidade, que ilustram o laborioso cotidiano das pessoas do vale do Nilo, revelam caracter√≠sticas do polite√≠smo eg√≠pcio e abordam suas pr√°ticas funer√°rias.

Cada se√ß√£o apresenta um tipo particular de artefato arqueol√≥gico, contextualizado por meio de colora√ß√£o e ilumina√ß√£o projetadas para provocar efeitos perceptuais, simb√≥licos e evocativos. As cores escolhidas s√£o: amarelo para a se√ß√£o da vida cotidiana; verde para a religi√£o; azul para as tradi√ß√Ķes funer√°rias ‚Äď associadas a tr√™s intensidades da ilumina√ß√£o (brilhante, suave e baixa). Os visitantes poder√£o conferir o acervo in√©dito ao longo dos seis andares do CCBB de S√£o Paulo.

 

Estela funerária de Mekimontu Deir el-Medina, XVIII Dinastia (1550-1295 a.C.) Calcário, pintura, 28,5 x 20 x 4 cm © Museo Egizio

Vida cotidiana (seção amarela)
O dia no Egito Antigo come√ßava quando os primeiros raios de luz emergiam do akhet (horizonte) para iluminar Kemet, a terra negra (Egito). Este tamb√©m √© o momento em que a jornada de Egito Antigo: do cotidiano √† eternidade tem in√≠cio: o cotidiano √© apresentado por meio de v√≠deos e fotografias ‚Äď do Nilo, de s√≠tios arqueol√≥gicos, tumbas e objetos importantes.

As imagens transportam o p√ļblico para o modo de vida de uma civiliza√ß√£o intimamente ligada √† figura do Sol, Deus representado em pinturas, escritos, adere√ßos e objetos, entre outros artefatos, relacionados ao Egito Antigo.

O amarelo que colore essa se√ß√£o est√° associado ao Sol, mas tamb√©m ao ouro (material do qual a pele dos deuses era feita), assim como ao tom ocre comumente usado em Deir el-Medina ‚Äď a vila abrigava artes√£os das tumbas do Vale dos Reis, de onde v√™m a maior parte da informa√ß√£o sobre o dia a dia dos antigos eg√≠pcios.

Vasos canópicos de Horteb Delta (?), XXVI Dinastia (664-525 a.C.) Alabastro, a. 31,5, a. 34, a. 30, a. 28,5 cm © Museo Egizio

Por meio dos objetos expostos ‚Äď adornos, artigos de higiene, pentes, frascos de cosm√©ticos, sapatos, vestimentas, entre outros ‚Äď √© poss√≠vel entender aspectos como trabalho, nutri√ß√£o e sa√ļde da civiliza√ß√£o eg√≠pcia.

Os níveis sociais em torno da cultura e das esferas administrativas e sacerdotais eram reservados a altos dignitários, que desfrutavam dos maiores privilégios, praticavam caça e pesca e cuidavam do corpo com óleos, pomadas, banhos e perfumes. Tanto mulheres quanto homens usavam maquiagem, especialmente o kohl, uma mistura preta aplicada ao redor dos olhos, que servia a um propósito protetor.

J√° os camponeses viviam como o esteio da economia, junto com os servos. Suas vidas e trabalho eram determinados por um evento c√≠clico fundamental: a inunda√ß√£o do Nilo, em julho, que transformava os campos em p√Ęntanos lamacentos.

Era muito incomum mudar de classe social, mas um escriba poderia melhorar muito seu status, uma vez que seu conhecimento era requisito para os cargos mais altos: era necess√°rio dominar o hier√≥glifo e a escrita administrativa, em particular hier√°tica (vers√£o cursiva do hier√≥glifo), muito mais r√°pida, usada em anota√ß√Ķes e documentos. Enquanto o hier√≥glifo era escrito em pedra ou papiro precioso, o hier√°tico era registrado em √≥stracons.

Religião (seção verde)
A segunda parte da exibição irá ilustrar a relação dos egípcios com o sagrado, levando o visitante para dentro de um templo, em um ambiente em tons de verde. Essa cor está ligada a muitos conceitos, em especial ao renascimento e à regeneração, assim como à cor da pele do deus Osíris, rei dos mortos, e à tonalidade do papiro, feito a partir da planta identificada com o Nilo, que crescia na água e representava uma nova vida

A luz é suave, para evocar o que teria sido a iluminação típica dos templos, onde os cultos oficiais

Estatueta representando o Ba de Iuefentahat Procedência desconhecida, Período Tardio (664-332 a.C.) Madeira, pintura, a. 17 cm © Museo Egizio

eram praticados e os sacerdotes escreviam os textos sagrados e determinavam a vida religiosa. Eram subdivididos em espa√ßos p√ļblicos e sagrados, nos quais apenas alguns sacerdotes e o rei podiam entrar. Sua arquitetura substitu√≠a progressivamente a luz pela penumbra e escurid√£o.

A religi√£o eg√≠pcia era polite√≠sta, marcada por um grande n√ļmero de divindades maiores e menores. A forma mais √≠ntima de devo√ß√£o pessoal era o culto votivo, que envolvia a consagra√ß√£o de objetos representando as divindades.

Muitos deuses assumiam a forma animal, e espécies associadas a divindades específicas eram adoradas. Nos templos, um animal associado a um deus poderia ser considerado sua encarnação e, se morresse, seria mumificado e poderia ser deixado como oferenda.

Foram encontradas centenas de milhares de m√ļmias, especialmente gatos para a deusa Bastet, c√£es para o deus An√ļbis, falc√Ķes para o deus H√≥rus e √≠bis para o deus Thoth. As m√ļmias eram acompanhadas de objetos em v√°rios materiais, incluindo est√°tuas de divindades e estelas de pedra calc√°ria, diante das quais as oferendas seriam deixadas.

Outro aspecto importante da religi√£o era a magia, desde a vida cotidiana at√© os ritos funer√°rios ‚Äď √†s vezes, considerada o √ļnico rem√©dio contra o comportamento incompreens√≠vel dos deuses, dem√īnios, anjos e esp√≠ritos dos mortos.

A doença era vista como uma possessão por uma entidade prejudicial que precisava ser derrotada. As estátuas de cura pertencem a essa esfera e apareceram pela primeira vez no Império Novo (iniciado em cerca de 1500 a.C.), podendo curar picadas de cobra e escorpião, com a água ou leite que era derramada sobre elas e sobre os textos mágicos que cobriam as feridas.

Eternidade (seção azul)
A escurid√£o noturna, fase em que a deusa Nut engolia o Sol, era associada ao reino dos mortos; e o azul √© a cor do l√°pis-laz√ļli, mineral precioso valorizado pelos eg√≠pcios. Em um ambiente com ilumina√ß√£o azul meia-noite, considerada por eles a cor da eternidade, o terceiro espa√ßo expositivo ir√° abordar as tradi√ß√Ķes funer√°rias e a vida ap√≥s a morte.

Estatueta em bronze da deusa Bastet Período Tardio (722-332 a.C.) Bronze, 11 x 4,8 x 7,5 cm Proveniência desconhecida Aquisição anterior a 1882 © Museo Egizio

A luz ainda mais fraca sugere os locais fechados e selados das c√Ęmaras funer√°rias, onde os bens da sepultura eram originalmente colocados. Assim, o visitante √© transportado ao interior de uma tumba para acompanhar desde a sua idealiza√ß√£o e constru√ß√£o at√© o sofisticado ritual de mumifica√ß√£o.

Os elementos da arquitetura das tumbas atendiam exig√™ncias relacionadas √†s cren√ßas funer√°rias. Esse ritual atingiu sua m√°xima express√£o com a mumifica√ß√£o, que era considerada uma prote√ß√£o do corpo para continuar a vida ap√≥s a morte. Os √≥rg√£os internos eram retirados, tratados e guardados em vasos can√≥picos, pois os eg√≠pcios acreditam que era preciso preserv√°-los para assegurar a vida eterna; s√≥ o c√©rebro era descartado; e o cora√ß√£o, a casa da alma, era recolocado na m√ļmia.

Essa fun√ß√£o protetora da mumifica√ß√£o era refor√ßada pela recita√ß√£o de f√≥rmulas m√°gicas, representando esp√≠ritos ou divindades particulares, e posicionando amuletos em pontos espec√≠ficos da m√ļmia: o djed (hier√≥glifo em forma de pilar) era colocado atr√°s do corpo, como s√≠mbolo de estabilidade e for√ßa; o besouro coberto de f√≥rmulas m√°gicas protetoras, no cora√ß√£o; os esp√≠ritos funer√°rios, no m√ļsculo card√≠aco; as divindades protetoras, nos √≥rg√£os do abd√īmen.

A partir do Império Médio (iniciado em cerca de 2000 a.C.), as tumbas ganharam estatuetas funerárias, conhecidas como shabtis, que tinham a tarefa de substituir o falecido se fosse convocado para realizar trabalho agrícola ou qualquer outra tarefa após a morte. No entanto, o objeto mais importante era o caixão, cuja função principal era preservar o corpo. Ao longo dos séculos, mudou tanto em forma quanto em decoração e, muitas vezes, era identificado com Nut, a deusa do céu e mãe divina, que acolhia os mortos e lhes permitiria começar uma nova vida.

Interatividade
Egito Antigo: do cotidiano √† eternidade apresenta ainda uma se√ß√£o interativa, com um v√≠deo com reconstru√ß√£o 3D de monumentos, baseada em dados reais, que permitir√° aos visitantes percorrer lugares no Egito Antigo. Ser√£o desenvolvidas atividades l√ļdicas e ainda ser√° poss√≠vel tirar selfies com a esfinge ou a pir√Ęmide. Haver√° uma r√©plica de uma escava√ß√£o e um livro eletr√īnico, com parte do material registrado pelas equipes de Napole√£o (de 1798 a 1801), com imagens de monumentos, esculturas, paisagens e objetos, que poder√° ser navegado pelos usu√°rios e ser√° projetado em um tel√£o. A reconstru√ß√£o de uma das salas de tumba da rainha Nefertari, cujas pinturas de parede s√£o consideradas como ‚Äėa Capela Sistina do Egito Antigo‚Äô, completa a visita da exposi√ß√£o.

Estátua de mulher sentada Necrópole de Tebas (?), Início da XVIII Dinastia (1550-1295 a.C.) Calcário, pintura, 32 x 9,8 x 19,8 cm © Museo Egizio

Além disso, o Programa Educativo do Centro Cultural Banco do Brasil irá desenvolver uma série de atividades que estimulam a experiência, a criação, a investigação e a reflexão por meio de processos pedagógicos, artísticos e curatoriais. Logo nas primeiras semanas da exposição, educadores serão convidados para conhecer a mostra. Já durante o período expositivo, atividades especiais estão programadas. No Carnaval, por exemplo, uma oficina vai demonstrar maquiagens e fantasias relacionando o tema da exposição.

O Espa√ßo de Conviv√™ncia convida ao encontro, √† pausa e ao di√°logo. √Č um lugar onde todos os p√ļblicos s√£o acolhidos, em suas diferen√ßas e singularidades, e onde o Programa CCBB Educativo SP afirma o compromisso com a acessibilidade, a diversidade e a inclus√£o. O EspacŐßo de ConviveŐāncia da exposi√ß√£o Egito Antigo: do cotidiano aŐÄ eternidade toma como ponto de partida elementos do Antigo Egito e do Egito contempor√Ęneo e prop√Ķe um lugar de encontro onde o jogo funciona como ferramenta de constru√ß√£o coletiva e de aprendizado, com foco na escrita de hier√≥glifos, tanto de palavras como de n√ļmeros. As atividades do CCBB Educativo s√£o realizadas todos os dias, exceto √†s ter√ßas.

Após passar por São Paulo, Egito Antigo: do cotidiano à eternidade será apresentada no CCBB Brasília (2 de junho a 30 de agosto de 2020) e no CCBB Belo Horizonte (16 de setembro a 23 de novembro de 2020).

A exposição é patrocinada pelo Banco do Brasil (por meio do edital Programa de Patrocínio 2018/2019 РCentro Cultural Banco do Brasil), pela BB DTVM, BB Seguros e tem copatrocínio da Brasilprev e apoio do Banco Votorantim. O projeto conta com apoio da Lei de Incentivo à Cultura.

Egito Antigo: do cotidiano à eternidade | Centro Cultural Banco do Brasil

  • CCBB S√£o Paulo: 19/02/2020 a 11/05/2020
  • CCBB Distrito Federal: 02/06/2020 a 30/08/2020
  • CCBB Belo Horizonte: 16/09/2020 a 23/11/2020

Serviço

Egito Antigo: do cotidiano à eternidade

De 19/02/2020 a 11/05/2020

Centro Cultural Banco do Brasil S√£o Paulo

Rua √Ālvares Penteado, 112 ‚Äď Centro Hist√≥rico, Tri√Ęngulo SP, S√£o Paulo‚ÄďSP

Aberto todos os dias, das 9h às 21h, exceto às terças

Acesso ao cal√ßad√£o pela esta√ß√£o S√£o Bento do Metr√ī

Informa√ß√Ķes: (11) 4298-1270

 bb.com.br/cultura | twitter.com/ccbb_sp | facebook.com/ccbbsp | instagram.com/ccbbsp

ccbbsp@bb.com.br

Acesso e facilidades para pessoas com deficiência | Ar-condicionado | Cafeteria e Restaurante | Loja

Estacionamento conveniado: Rua da Consolação, 228.

Traslado gratuito até o CCBB (aprox. 10 min), das 14h às 23h.

No trajeto de volta, a van tem parada na esta√ß√£o Rep√ļblica do Metr√ī.

Valor: R$ 14 pelo per√≠odo de at√© 6 horas. √Č necess√°rio validar o ticket na bilheteria do CCBB.

No Comments so far

Jump into a conversation

No Comments Yet!

You can be the one to start a conversation.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de coment√°rios s√£o processados.