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Trauma: como entender e tratar situações traumáticas?

8/7/2021 – Psicóloga avalia como são criados e como podem ser tratados os traumas humanos, tema de documentário e livro recém-lançados

O “Trauma não é o que acontece com você. Trauma é o que acontece dentro de você, como resultado do que acontece com você”. Esta afirmação é do médico Gabor Maté, criador do recente lançamento “The Wisdom of Trauma”. O documentário expõe as epidemias relacionadas à ansiedade, doenças crônicas e uso abusivo de substâncias tóxicas enfrentadas pela sociedade ocidental e é resultado da experiência do médico, que dedicou sua vida a compreender a conexão entre doença, vício, trauma e sociedade.

A temática ganha ainda mais relevância, a partir de pesquisas recentes sobre saúde mental. Um estudo realizado pelo Ministério da Saúde revela que a ansiedade é o transtorno mais presente desde o início da pandemia. Os resultados preliminares foram obtidos a partir de um questionário online em maio de 2021 e apontam uma elevada proporção de ansiedade (86,5%) e uma moderada presença de transtorno de estresse pós-traumático (45,5%).

Em seu livro “Mover o Pensamento, Sentir o Movimento – Reflexões sobre os desafios do mundo atual em psicoterapia”, lançado em junho, Maria del Mar, psicóloga, psicoterapeuta e formadora internacional, cria um espaço para a reflexão sobre traumas, sobre o poder transformador das crises e a importância da resiliência diante dos desafios do mundo atual.

De acordo a psicoterapeuta, um determinado indivíduo que passa por uma situação traumática pode sentir medo e ficar impressionado, enquanto outra pessoa que passa pela mesma experiência pode ficar em choque, porém agradecido por estar vivo. As reações podem variar de pessoa para pessoa, mas como é possível explicar essa diferença?

“Cada pessoa tem sua própria forma de reagir a situações de risco de vida ou experiências inesperadas. Uma experiência traumática é um evento que nos destitui da capacidade de tomar decisões, que surge de forma imprevista e que para voltarmos a ter o sentido de segurança, precisamos restabelecer a capacidade de tomar decisões, restabelecer um sentido de governança”, reflete Maria del Mar.

Os traumas podem ocorrer em fases muito precoces da vida, sem que estejam no consciente de quem os vivencia. “O sistema neurológico demora anos para se formar por completo. O bebê depende da mãe para se alimentar e para se sentir seguro. O sentido de segurança é construído neste vínculo dos primeiros anos de vida. É fato que quem desenvolve bom vínculo inicial possui uma capacidade de resposta do sistema nervoso muito superior se comparado a quem não teve este vínculo inicial”, detalha a terapeuta.

Durante a infância são criados resíduos de situações que ficam acumulados no sistema nervoso, chamados de cristalizações, que ajudam a entender por que acontecem certos tipos de reações, comportamentos, rituais que influenciam a forma como uma pessoa se enxerga e que podem ser totalmente distinta de como os outros a veem. O trauma é uma consequência desses resíduos gerados na infância.

Maria del Mar esclarece que o sistema nervoso é um sistema de informação que se comunica o tempo todo com os sistemas endócrino, imunológico e cardiorrespiratório, afetando a fisiologia humana desde o tônus muscular e até a forma como se dá o relacionamento com o mundo exterior. É como uma orquestra, que alia situações do meio externo com o mundo interno do ser humano.

“O sistema nervoso autónomo é composto por dois sistemas que o regulam, o sistema Simpático e o Parassimpático. Numa linguagem simplista, o Simpático é o que gera o movimento, é o que nos deixa alerta em situações de risco. Ele é o responsável pela nossa sobrevivência, pela mobilidade que nos apoia para as respostas de estresse, luta, fuga e defesa. Já o Parassimpático é o que nos faz parar como resposta à sobrevivência, gerando um estado de congelamento. Fisiologicamente é responsável pela digestão, por baixar o ritmo cardíaco, por dormir bem, por meditar”, avalia.

De acordo com Maria Del Mar, muitas vezes, pessoas têm vontade de mudar, querem fazer coisas diferentes só que o corpo possui um ritmo mais lento do que a mente. Mudar a mente não significa mudar o corpo, por outro lado mudar o corpo permite a mudança da mente, visto que muitas das sensações desagradáveis estão no corpo, ainda que a mente não as conheça ou sequer se lembre delas.

“A qualidade dos padrões de vínculo são os maiores preditores para a saúde ou resiliência mental. E isso explica, portanto, porque é que, diante do mesmo evento, uma pessoa responde de uma forma extrema e a outra com mais tranquilidade e assertividade”, finaliza a terapeuta.Trauma: como entender e tratar situações traumáticas?

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