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Mudança residencial e o abandono frequente de animais

Só no mês de agosto, 3 gatos foram deixados para durante mudanças

A crença antiga e equivocada de que “gatos são apegados ao local e não aos donos” ainda causa grande dano aos felinos e outros animais domiciliados aqui no Brasil. Em parte, graças a esse tipo de noção, há pessoas que se sentem confortáveis em mudar de casa e deixar seus animais para trás, sob um teto mas sem qualquer tipo de assistência.

A Confraria dos Miados e Latidos – ONG de proteção animal que desde 2007 atua em São Paulo e Nova Friburgo e já resgatou e encaminhou para adoção mais de 5.300 animais, relata que somente no mês de agosto acolheu três gatinhos que foram abandonados em casas vazias, após a família se mudar.

O primeiro deles é o Aquiles – um gato jovem, macho, extremamente dócil e manso. Apesar da situação de abandono, Aquiles foi resgatado com pouco tempo de desamparo e não sofreu grandes traumas físicos (mas o estado emocional, infelizmente, não estava nas mesmas condições).

O segundo caso foi o do gatinho Dado – também jovem, manso, macho e que já estava castrado. Dado tinha acesso à rua, mas sempre voltava à casa de seus antigos tutores para esperá-los. Foi encontrado diversas vezes rondando a casa em busca de algum humano conhecido. Apesar do baixo peso e alto nível de estresse, também foi acolhido sem grandes danos físicos.

Infelizmente, Jonas não teve a mesma sorte e ficou um tempo maior em situação de abandono, miando pela vizinhança. Alguns vizinhos se solidarizaram e o alimentavam vez ou outra. Quando acolhido, Jonas estava em estado de desnutrição aguda, desidratação e sofria de escoriações na pele e boca. Já está sob tratamento e cuidados especializados e logo receberá alta, para então ser disponibilizado para adoção responsável.

O que boa parte das pessoas não sabe é que um gatinho, depois de domiciliado, não tem capacidade e condições para viver nas ruas, onde deve disputar território, comida e encontrar abrigo. Segundo Tatiana Sales, Presidente da ONG, o abandono afeta diretamente a estimativa de vida dos animais: “Eles não sabem mais como sobreviver e sua estimativa de vida, a partir do abandono, cai para três meses em média. Se não forem acolhidos rapidamente, o destino de todos é o mesmo: um fim de vida solitário e sofrido após o abandono”.

Parte da população acredita que abandono é, estritamente, quando um animal é levado e largado em local desconhecido (como estradas, petshops e terrenos). Mas a advogada e ativista de direito dos animais, Andressa Borelli, explica que o que diz a lei é bem diferente: “Deixar um animal por conta própria em um local, ainda que conhecido, mas sem qualquer tipo de assistência também caracteriza abandono e é crime federal – sujeito a detenção de até cinco anos (Lei nº 14.064/20)”.

Além de atuar no acolhimento de gatos neste tipo de situação, a Confraria trabalha promovendo conteúdo para conscientizar a população sobre a existência de casos assim e lembrar que os animais sofrem severos traumas quando expostos a tais circunstâncias. O processo da ONG para a adoção de animais envolve, além do termo de responsabilidade legal, uma série de procedimentos para identificar se o candidato a adotante seria capaz de abandar o animal, ou se a adoção é planejada e a família está disposta a levar o gatinho em possíveis mudanças futuras. “Muitas vezes os candidatos a adoção estranham a quantidade de perguntas no nosso questionário, ou mesmo a necessidade de enviar um vídeo da residência. Mas a verdade é que todo cuidado é pouco quando estamos lidando com vidas – e a adoção deve ser pra vida toda.” – completa Tatiana.

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