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A transformação do 5G nos meios de pagamento

Com a ascensão das redes 5G deveremos ganhar novas opções



Por José Barletta *

Antigamente, um dos momentos mais aguardados de uma compra era a hora de apertar o OK, depois de inserir a senha do cartão. Não era nada raro ficar esperando alguma rede concluir o processo e, finalmente, terminar a operação. Hoje, esse cenário mudou e as transações em 3G ou 4G já são feitas em segundos, com tudo muito mais rápido. Imagine, então, quando chegar o 5G.

Antes de falar da conexão de quinta geração, no entanto, é importante relembrar tudo o que acontece entre o “OK” na máquina do cartão e a mensagem de “transação concluída” – nesse meio tempo, quase sempre imperceptível, há uma série de checagens e aprovações (de sua senha, do cartão, do terminal e por aí vai). Bastante coisa, concorda?

Com a ascensão das redes 5G, porém, deveremos ganhar novas opções nesse cenário, aumentando a velocidade da transação e permitindo uma maior análise da transação e de seus riscos. De forma básica, a próxima geração de rede de internet móvel trará como benefícios mais velocidade para downloads e uploads, cobertura mais ampla e conexões mais estáveis. Isso permitirá, por exemplo, que as comunicações entre máquinas avancem e nos ajudem a automatizar tarefas domésticas, bem como o surgimento de uma nova era em termos de interatividade.

O 5G nos meios de pagamento representa, portanto, uma oportunidade para a realização de operações de compras em tempo real e, principalmente, para agregar maior segurança às operações. O grande diferencial que a nova geração de conexões móveis pode nos oferecer de imediato é a chance de usarmos tecnologias avançadas de automação e análise para combater eventuais riscos de forma eficiente – e ainda oferecer operações mais rápidas. Como resultado, as companhias poderão analisar as operações, cruzando informações de diversos canais e fontes de dados para identificar comportamentos suspeitos e, ainda, para identificar e mitigar ameaças antes que elas causem prejuízos reais.

Outro ponto importante é que o 5G, além de maior velocidade e de uma taxa de latência muito menor, também possibilitará que os terminais de pagamento sejam verdadeiros “hubs” tecnológicos para os lojistas, com dezenas de novos serviços integradas dentro do mesmo ponto de operação (dispensando redes mais complexas e garantindo melhor performance).

Para o consumidor, a adoção da quinta geração de internet móvel ajudará a tornar o processo de pagamento mais rápido e fluído, reduzindo etapas desnecessárias e otimizando a experiência dentro da loja. Isso é muito importante para os comerciantes e bancos, pois é sabido que os clientes, hoje, demandam mais rapidez. Segundo pesquisa da OpenText, mais de 70% dos consumidores brasileiros desistiria de comprar novamente de uma marca por conta de uma experiência ruim.

De acordo com o Consumer Commitment Index (CCI), estudo promovido pela Officina Sophia Retail, 86% dos compradores estão dispostos a pagar mais por uma experiência que consideram melhor. E quando em experiência, no caso, é fundamental entendermos que o meio de pagamento é, sim, parte central da conquista de confiança do cliente.  

O outro lado da moeda é que essa transformação trará como desafio a implementação de uma nova infraestrutura, que certamente não chegará por igual e ao mesmo tempo às diferentes regiões do País. É dever de todos trabalhar para que essa jornada de evolução e inovação seja a mais rápida possível, garantindo que cada vez mais gente (lojista e consumidor final) possam tirar vantagem dos benefícios do 5G na hora do pagamento de suas compras on-line e na loja física.

A adoção de novas tecnologias para aprimorar a experiência dos clientes deve ser encarada como uma ação constante – e que não pode ficar restrita ao que acontece até o momento de se levar o carrinho até o caixa. Ao contrário, é preciso agregar valor também à hora do pagamento, levando uma operação realmente frictionless – com a implementação de soluções com biometria, pagamentos sem cartão, uso de reconhecimento facial, incontáveis aplicativos para o autoatendimento, via smartphone, e muito mais.

Como toda mudança, a inovação bancária traz oportunidades e desafios. Resta saber quem saberá identificar as possibilidades de crescimento e aproveitar todas as chances geradas pelas novidades. O momento exige atenção e um profundo conhecimento do mercado. Os pagamentos são instantâneos, mas as ações precisam começar muito antes – por isso, é hora de investir em precisão e eficiência, em conjunto da própria inovação. Opções não faltam para agilizar as transações sem deixar a segurança de lado.

* José Barletta é Diretor de Soluções e Arquiteto da Worldline para a América Latina

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