A tarefa de cuidar dos filhos nunca foi fácil. Não obstante o ensino dado às crianças pelas escolas, sempre coube a família estabelecer limites. [read more=”Continuar lendo…” less=”Menos”]

Em um mundo altamente tecnológico, com opções de entretenimento tão diversas e acessíveis, o trabalho certamente se tornou mais complexo e difícil. Novas perguntas urgem, como: quando saber o momento certo de colocar o filho diante desses aparatos? Como limitar o acesso dele a essas tecnologias?

A psicóloga Fernanda Tochetto diz que seguiu a orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), de que somente a partir de dois anos de idade a criança pode iniciar a interação com imagens eletrônicas, vindas de computador, tablets smartphones etc.

Até essa idade, ela necessita interagir com os pais e demais pessoas que participem de seu cuidado, para desenvolver habilidades cognitivas, motoras, de linguagem e socioemocionais.

Contudo, mesmo depois dessa idade, liberado o acesso, a SBP recomenda um limite de tempo para o uso. Com mais de dois anos, as crianças devem ficar poucos minutos na frente ferramentas de comunicação como o Skype. Entre 3 e 5 anos, quando elas já adquiriram uma certa independência, recomenda-se um máximo período de uma hora diária.

Mais autônomas ainda, crianças de 6 a 12 anos podem usar por duas horas os aparelhos eletrônicos, incluindo a televisão.

Na fase de maior sociabilidade é natural que crianças inseridas no mundo virtual, tenham vontade de experimentar as redes sociais, o que pode ser fonte de alguns problemas se usadas em demasia. De acordo com Tochetto, o excesso de tempo despendido nesse tipo de mídia pode gerar tristeza, ansiedade e euforia nos usuários.

“Alguns índices têm mostrado que as crianças tendem a ficar mais sedentárias e obesas. Além disso, ao se compararem com os outros, começam a achar suas vidas ruins, levando à diminuição do contato social e da interação e ao baixo desenvolvimento da empatia”, alerta.

As redes sociais podem acarretar outras problemáticas como o cyberbullying ou facilitamento do assédio. Os pais precisam estar antenados ao mundo virtual e ao acesso que as crianças e adolescentes podem ter a esse universo. “Sobre o que não falamos e explicamos, eles estão pesquisando e descobrindo em tempo recorde”, diz a especialista.

A situação se complica quando a essa curiosidade e facilidade de obter informações junta-se o fato de qualquer pessoa em qualquer lugar poder interagir com qualquer um.

“Sabemos que hoje, infelizmente, o número de pessoas doentes e má intencionadas que trafegam na internet é cada vez maior, estimulando atitudes, comportamentos e ações maldosas que ferem nossas emoções”, destaca.

Uma forma de se contornar essa dificuldade é uma espécie de visita guiada. É preciso estar no mesmo ambiente das crianças no momento que elas utilizam as redes e procurar esclarecer as dúvidas que elas possam ter. “Sempre busque o diálogo aberto. Explique, oriente, mostre os ganhos e os prejuízos”, afirma a psicóloga.

Mas não foque em limites rígidos. Deve sempre prevalecer o combinado entre pais e filhos. Entretanto, no caso de uma quebra de acordo, a psicóloga sugere que se tome uma outra atitude ao invés do famigerado castigo. “No lugar da palavra castigar talvez um outro termo: a perda. Se não cumpre as regras, para de ganhar e começa a perder alguns benefícios, como o tempo de acesso a algumas ferramentas. Os filhos precisam entender isso”.

O exemplo dos pais em relação ao uso que fazem de redes sociais também é essencial aos filhos, o que não significa que eles precisem parar de usufruir das tecnologias. O importante é agir com naturalidade, sem pressionar, dialogando com os filhos. “Compartilhe com consciência e deixe seus filhos serem autênticos”, sugere.

O uso excessivo de internet, redes sociais e jogos de computador, por exemplo, não são necessariamente vícios. “Mas podem ser tornar quando as pessoas deixam de praticar cuidados básicos, negligenciando a alimentação, o sono e as relações pessoais”, explica.

Outros sintomas são: ansiedade e agitação quando por algum motivo não podem acessar as redes sociais; e a nomofobia: o medo irracional de ficar sem celular ou aparelhos eletrônicos em geral.

Em caso de vicio, a recomendação é procurar sempre um especialista, um psicólogo ou psiquiatra para avaliação. Existem atualmente no Brasil e no mundo clínicas especializadas para tratar dependentes digitais. “A dependência com a tecnologia pode ser pior do que com as substâncias químicas, porque é mais silenciosa até que os comportamentos manifestem os prejuízos”, adverte.

 

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