O Brasil voltou a debater nesta semana as falhas e os desafios que envolvem a transmissão de energia, em sincronia, para as cinco regiões do país. Na última sexta-feira de maio (28), um blecaute de cerca de 20 minutos originado por um problema nas turbinas da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, deixou diversos estados no escuro e abriu a discussão sobre as dificuldades de abastecimento enfrentadas pelo sistema elétrico brasileiro e o risco de novos apagões.

Para além do decreto federal que regulamenta os leilões para comprar reserva de capacidade na forma de potência e auxiliar a demanda por energia elétrica dos consumidores do Sistema Integrado Nacional (SIN), o desenvolvimento de novas tecnologias brasileiras voltadas para o setor energético passa a ser fundamental para o futuro do setor no país. A construção de uma rede elétrica mais inteligente, em curso na iniciativa privada, pode contribuir para a redução no número de interrupções parciais ou totais de energia em território nacional.

Segundo Wilian Zanatta, diretor da Vertical Energia da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), apesar de o setor ainda enfrentar desafios, a tecnologia é um dos caminhos inevitáveis para superá-los. O especialista lembra que atualmente é necessário ter uma capacidade de produção de energia muito maior do que o consumo propriamente dito para atender sazonalidades ambientais, já que o país é altamente dependente dos recursos naturais. Então, investe-se muito para estar preparado para o pior cenário de consumo, com picos de demanda, e de geração, como em casos de escassez hídrica.

Neste contexto, a tecnologia tem um papel fundamental para otimizar e modernizar o setor. E já há inúmeras iniciativas e soluções inovadoras, principalmente com o aumento das quantidades e precisão das medições nos processos de geração e consumo de energia. Com isso, os sistemas de inteligência de apoio à decisão ganham ainda mais relevância e contribuem para a construção de um setor cada vez mais eficiente.

Porém, ainda há alguns entraves para a modernização do setor energético, principalmente pela intensa regulação, crescimento constante de custos e falta de matrizes alternativas. ”Isso faz com que o Brasil perca sua competitividade na indústria e em toda cadeia produtiva, o que impacta diretamente na precificação de produtos e serviços. Com a migração para o mercado livre de energia, ganha-se em competitividade e em preços mais atraentes de energia. E a tecnologia também pode auxiliar muito neste processo, para otimizar mais os recursos e tornar as empresas mais competitivas”, destaca Zanatta.

Tecnologia preditiva identifica falhas em ativos antes que se tornem graves
Combinando tecnologias inovadoras, como inteligência artificial e machine learning, o mercado brasileiro já oferece soluções que permitem identificar problemas em ativos de geração de energia antes que eles provoquem consequências graves, como a falha na geração e, consequentemente, falta de energia para o cidadão. Sylvio Ramos Filho, CEO da AQTech explica que, usando um sistema de monitoramento preditivo, as geradoras conseguem agir de forma antecipada para evitar a falha do ativo e os possíveis transtornos ao consumidor.

Sistemas inteligentes e integrados ajudam a controlar a geração de energia
Outro exemplo vem da multinacional brasileira REIVAX Automação e Controle. Precursora mundial na oferta de controladores integrados de tensão e velocidade e pioneira na aplicação de controladores microprocessados em sistemas de excitação e reguladores de velocidade no Brasil, a companhia produz equipamentos comumente usados em usinas de geração de energia elétrica para manter a frequência e a tensão de saída do gerador dentro dos limites exigidos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

“Os apagões causam perdas econômicas e estresse entre o mercado e os consumidores e hoje a tecnologia já é capaz de ajudar a combatê-los. Temos sistemas integrados de controle, excitação e automação de geradores e turbinas, por exemplo, que contribuem para antever e ou apontar falhas em tempo real na planta, gerando subsídios para uma resposta mais rápida e evitando que esses problemas se tornem maiores. A tecnologia está evoluindo nesse campo e deve ser priorizada”, aponta Fernando Amorim da Silveira, CEO da REIVAX.

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