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Mercado de robótica cresce e alerta sobre a escassez de mão-de-obra qualificada no País

Mercado de robótica cresce e alerta sobre a escassez de mão-de-obra qualificada no País


O mercado é bem atraente e grande com potencial, principalmente na era das fábricas inteligentes ou fábricas 4.0


por 28 de agosto de 2018 0 coment√°rios

por Denis Pineda*

Imagem: Divulgação

O Brasil est√° inserido no grupo seleto de 55 pa√≠ses que j√° automatizam suas linhas de produ√ß√£o com rob√īs e intelig√™ncia artificial. Por√©m, ainda distante da m√©dia de rob√īs por empregado quando comparado a outros pa√≠ses ‚Äď apenas 11 para cada 10 mil trabalhadores, o pa√≠s precisa avan√ßar em diversas frentes para elevar sua posi√ß√£o na escala mundial.

Entre elas, no desenvolvimento de solu√ß√Ķes mais adaptadas √† demanda de diversos segmentos, como √†s empresas de pequeno e m√©dio porte, e na quest√£o da regulamenta√ß√£o governamental, ainda distante e com pouca representatividade nos debates sobre o assunto.

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Federa√ß√£o Internacional de Rob√≥tica, em 2016, foram comercializados 1,5 mil rob√īs industriais no Pa√≠s dentro de um universo de 294 mil.

Mesmo com um volume pouco expressivo em relação ao mercado internacional, a instituição também ressalta que o crescimento anual para o mercado brasileiro de robótica industrial é de 33% ao ano de 2018 a 2020, ou seja, o país é o mercado com maior potencial de crescimento percentual neste período no mundo.

De olho nas estat√≠sticas, percebe-se que o cen√°rio futuro √© muito promissor e atrai a aten√ß√£o dos fabricantes de rob√īs. Um ponto interessante a ser considerado no Pa√≠s √© que em conjunto com crescimento da rob√≥tica e da intelig√™ncia artificial industrial, se elevam tamb√©m as oportunidades de emprego no setor.

No entanto, h√° no Brasil, uma car√™ncia de engenheiros, programadores e t√©cnicos qualificados com especializa√ß√£o para atuar com rob√īs e, por esse motivo, n√£o s√£o raras as vezes que os grandes consumidores de rob√≥tica trazem m√£o-de-obra do exterior.

O mercado é bem atraente e grande com potencial, principalmente na era das fábricas inteligentes ou fábricas 4.0, da internet das coisas e da inteligência artificial chegando ao processo industrial, mas sofre com a falta de capital humano.

Dados da Confedera√ß√£o Nacional de Ind√ļstrias, divulgados em 2015, mostram que o Brasil tem cerca de dois engenheiros para cada 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos, esse n√ļmero pula para oito e, na Alemanha, para 14.

E no momento em que as ind√ļstrias est√£o se recuperando da crise, o foco √© melhorar a efici√™ncia na produ√ß√£o, reduzir o desperd√≠cio e os erros e aumentar a qualidade.

Ent√£o, h√° uma oferta grande de oportunidades para os profissionais da √°rea, que podem auxiliar diretamente em solu√ß√Ķes para adequa√ß√£o de custos de opera√ß√£o das f√°bricas, do n√ļmero de m√°quinas e de etapas dos processos, pensando na forma mais r√°pida e eficiente de atuar utilizando os rob√īs e sistemas mecatr√īnicos.

Nessa quarta revolu√ß√£o industrial quem tiver essa forma√ß√£o e especializa√ß√£o, estar√° empregado. O caminho ideal a ser trilhado no Pa√≠s √© inserir tem√°ticas de rob√≥tica e mecatr√īnica na programa√ß√£o de cursos, universidades e at√© para escolas.

Neste sentido, h√° algumas institui√ß√Ķes de ensino que est√£o promovendo cursos e competi√ß√Ķes de rob√≥tica a fim de fomentar esse mercado e incentivar os jovens a se prepararem para as vagas do setor.

Um exemplo √© o instituto de Ci√™ncias Matem√°ticas e de Computa√ß√£o (ICMC) da Universidade de S√£o Paulo (USP) de S√£o Carlos, que em abril deste ano, abriu inscri√ß√Ķes para o curso preparat√≥rio para alunos que se interessam em competir em modalidades pr√°ticas da Olimp√≠ada Brasileira de Rob√≥tica (OBR).

Institutos federais da Para√≠ba (FPB), do Rio de Janeiro (IFRJ), de Rond√īnia (IFRO), do Rio Grande do Norte (IFRN) e de Mato Grosso do Sul (IFMS) tamb√©m v√™m investindo nessas competi√ß√Ķes com o objetivo de n√£o apenas criar ou desenvolver compet√™ncias, mas para incluir a tecnologia no dia a dia do aluno, em busca de solu√ß√Ķes e de relacionamento com outras √°reas profissionais. O Insper e o SENAI de S√£o Caetano tamb√©m s√£o unidades que agregam atividades com rob√īs em suas aulas.

Al√©m das institui√ß√Ķes de ensino √© importante ressaltar outro ponto que tenta suprir a falta de profissionais qualificados no Brasil. Muitas vezes, a forma√ß√£o de programa√ß√£o espec√≠fica para rob√īs industriais se d√° pelos pr√≥prios fabricantes em laborat√≥rios instalados nas pr√≥prias sedes.

Alguns cursos oferecidos no mercado s√£o extremamente caros para as empresas ou ind√ļstrias que precisam de treinamento. A Universal Robots, no entanto, tem um modelo de neg√≥cio completamente disruptivo, em que n√£o h√° cobran√ßa para treinar clientes e integradores que adquirem rob√īs.

O mercado de rob√≥tica tamb√©m tem um grande potencial de crescimento em √Ęmbito global. Isso se comprova com dados da Federa√ß√£o Internacional de Rob√≥tica que estima que o mercado de rob√≥tica cres√ßa, em m√©dia, 15% ao ano, atingindo, em 2020, a marca de 520 mil rob√īs, diante dos 294 mil atuais.

A Consultoria indiana ReportsnReports ainda refor√ßa essa previs√£o, afirmando que o mercado de rob√īs com intelig√™ncia artificial deve saltar dos atuais US$ 3,49 bilh√Ķes em 2018 para US$ 12,36 bilh√Ķes at√© 2023.

Os rob√īs colaborativos (cobots), que podem trabalhar lado a lado aos humanos, fazem as tarefas repetitivas e perigosas e deixam as √°reas mais cognitivas a cargo dos funcion√°rios.

Apesar de terem sido um mercado de aproximadamente 5.000 unidades em 2015, a BIS Research Analsys estima que o volume global de cobots cresça um pouco mais de 70% ao ano chegando a mais de 120.000 unidades em 2021. A Universal Robots cresceu em 2017, 72% confirmando esta tendência.

H√° quem pense que os rob√īs, na realidade, impactar√£o negativamente o n√ļmero de vagas de emprego. Essa √© uma ideia err√īnea. Ao contr√°rio das cren√ßas amplamente difundidas, a implanta√ß√£o de rob√īs quase sempre resulta em cria√ß√£o l√≠quida de empregos, porque as habilidades da for√ßa de trabalho humana podem ser utilizadas para gerar maior valor.

De acordo com a Associa√ß√£o para o Avan√ßo da Automa√ß√£o (A3), a medida que os empregadores adicionam tecnologias de automa√ß√£o como rob√īs, cargos e tarefas est√£o mudando, mas o n√ļmero de empregos continua aumentando. Dados de uma pesquisa da institui√ß√£o mostram que, de 2010 a 2016, 136.748 rob√īs foram enviados para clientes dos EUA. Nesse per√≠odo, o emprego industrial no pa√≠s aumentou em 894.000 e a taxa de desemprego nos EUA diminuiu de 9,8% 4,7%.

*Denis Pineda é gerente de desenvolvimento de vendas da Universal Robots no Brasil

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