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Quatro estratégias para prever e bloquear ataques digitais contra ambientes OT e TI

Além de ativos de OT, os líderes de segurança industrial precisam ter visibilidade sobre dispositivos de TI e Internet das Coisas (IoT)

Por Arthur Capella *

Em 2021, o crescimento industrial será fundamental para impulsionar a recuperação do nosso país. Uma das alavancas para esse avanço é a convergência entre áreas industriais e a área de TI. Essa nova realidade é uma das colunas da Indústria 4.0, modelo em que setores da infraestrutura industrial que sempre existiram de forma isolada conectam-se, agora, a clientes e fornecedores. É essa conexão que permite, por exemplo, a aceleração da fabricação on-demand de produtos customizados e em menor volume. Para isso, as áreas de OT e TI da indústria têm de operar de forma integrada e em tempo real.

Pesquisa realizada pela Deloitte do Reino Unido em 2019 com 500 executivos do C-Level mostra que 14% desse grupo estava ativamente investindo na integração OT/IT. E, desse total, 90% dos entrevistados afirmaram ter sofrido ataques digitais nos últimos dois anos – vazamento de dados confidenciais e a interrupção dos processos industriais foram alguns dos problemas enfrentados por essas empresas.

Um dos casos mais emblemáticos de ataques contra ambientes industriais aconteceu com a gigante norueguesa de fabricação de aço Norsk Hydro em 2019. O exploit de ransomware utilizado bloqueava o acesso aos sistemas críticos da empresa. O bloqueio criminoso durou vários dias, quase imobilizou a linha de produção – foi necessário recorrer a notas fiscais e planilhas em papel para dar continuidade aos processos da Norsk Hydro – e gerou prejuízos de 45 milhões de Euros (cerca de R$ 301 milhões).

A empresa reportou a invasão à divisão de cyber crimes do governo norueguês, que segue investigando o incidente. O time de ICT Security reconstruiu todo o ambiente, adicionando novos controles. Segundo a própria Norsk Hydro, novas tentativas de ataques seguem acontecendo.

Há estratégias que podem contribuir para evitar quadros como este. 

Analisar OT e TI para ter uma visão completa da superfície de ataque da empresa
Além de ativos de OT, os líderes de segurança industrial precisam ter visibilidade sobre dispositivos de TI e Internet das Coisas (IoT). Essas tecnologias baseadas em endereçamento IP englobam entre 20% e 50% dos ambientes industriais modernos. É necessário, também, utilizar recursos de consulta ativa para descobrir os cerca de 30% de ativos de OT dormentes e invisíveis na rede. Muitas vezes, trata-se de tecnologias que só podem ser detectados de forma passiva. É essencial eliminar pontos cegos em todo o ambiente.

Ganhar visibilidade sobre cada dispositivo e sobre os caminhos de comunicação entre dispositivos
Descobrir os dispositivos “em risco” é o principal objetivo do esforço de reconhecimento de vulnerabilidades. Para defender todo o inventário de ativos, será necessária uma ampla compreensão da versão e integridade (checar se as correções foram implementadas) de cada dispositivo. Isso inclui informações como marca, modelo, firmware, detalhes de backplane, vulnerabilidades sem correção etc. 

É fundamental, ainda, entender a orientação de cada dispositivo dentro da rede, incluindo os caminhos de comunicação entre ativos similares – caso de controladores lógico programáveis e estações de trabalho. Esses elementos podem se tornar vetores de ataque se um ator malicioso se infiltrar em seus sistemas.

Usar a vetorização de ataques para diminuir a vulnerabilidade dos ambientes OT 
Por causa de seu histórico isolamento e pelo uso de protocolos pouco conhecidos fora dos ambientes industriais, a segurança de OT costuma adotar uma postura reativa: aguarda-se que um ataque aconteça para só depois lidar com o problema. “Vetorização de ataques”, a investigação de possíveis rotas que um invasor pode usar, possibilita, por meio do uso de tecnologias de Inteligência Artificial e Machine Learning, uma abordagem proativa para proteger a organização.

Ao identificar, por exemplo, os caminhos de alto risco, portas abertas e vulnerabilidades sem correções, será possível prever o comportamento de um ataque focado no ambiente de OT. Realizar simulações pode revelar pontos fracos, apontando dispositivos que exigem intervenções de segurança para efetivamente bloquear os ataques.

Ser proativo na gestão da segurança de ambientes OT e TI
A conexão do chão de fábrica a outros ambientes digitais acelera os negócios – por essa razão, a era do isolamento dos setores industriais acabou.

Dispositivos nativos desse ambiente – como Controladores Lógicos Programáveis -, além de sensores IoT e outros dispositivos com endereçamento IP são, hoje, alvo de ataques cibernéticos. Essa realidade exige que os líderes de segurança adotem uma abordagem proativa para defender ambientes industriais contra a próxima ameaça. É importante lembrar que malware pode se movimentar lateralmente de dispositivos de TI para redes de OT e vice-versa. Por essa razão, o uso de soluções convergentes de OT e TI deve estar no centro da segurança industrial.

Por sua extrema criticidade, o setor industrial é um alvo atraente para os criminosos digitais
Um ataque a uma planta pode parar a produção. Embora muitos ataques de ransomware contra indústrias tenham como alvo pagamentos em dinheiro, outros são disparados por nações estado que, por motivos políticos, buscam bloquear processos essenciais para o funcionamento de uma planta industrial crítica para uma cidade, um país. Em 2021, é fundamental que a indústria brasileira esteja protegida contra esses males.

* Arthur Capella é country manager da Tenable Brasil

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