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Mercado de celular fecha o primeiro trimestre de 2021 em alta, mas não anima a indústria

Preocupados com a crise global de componentes, fabricantes se anteciparam, abasteceram o canal e ajudaram no crescimento de 3%; período também foi marcado por uma desaceleração no grey market

O mercado de celular no Brasil cresceu 3% no primeiro trimestre de 2021. Nos três primeiros meses deste ano, foram vendidos 11.873.760 aparelhos, sendo 11.167.500 smartphones e 706.260 feature phones, segundo o estudo IDC Brazil Mobile Phone Tracker Q1 2021, realizado pela IDC Brasil.

Comparado ao primeiro trimestre de 2020, que teve queda de 8,7%, e considerando os efeitos da segunda onda da pandemia, o crescimento de 3% até poderia animar a indústria, mas, segundo Renato Murari de Meireles, analista de pesquisa e consultoria em Consumer Devices da IDC Brasil, o cenário não é de otimismo. “Prevendo a falta de componentes, alguns players anteciparam o abastecimento nos canais, aumentando o nível de estoques, mas isso não se traduz automaticamente em vendas para o consumidor”, explica Meireles.

Segundo ele, o Brasil é o quarto país em venda de smartphones, atrás apenas de China, Índia e EUA, que igualmente disputam componentes, especialmente chipsets. “A crise é global e o momento é de incerteza, por isso a precaução da indústria em comemorar essa reação do mercado. Por conta de uma antecipação ao canal houve alta de 3% no 1º tri, mas o comportamento dos próximos meses vai depender da disponibilidade ou não de insumos e também do pipeline dos fabricantes e do sell out, que podem equilibrar uma eventual falta de componentes”, diz.

O analista atribui a alta de 3% no mercado total de celular também à iniciativa das entrantes, tanto na categoria de smartphones como em feature phones. Os fabricantes investiram pesado nos canais, especificamente em feature phones e em especial nas regiões Norte e Nordeste. Em relação ao 1º trimestre de 2020, esse esforço representou um crescimento de 23% na categoria, mas é um movimento bem pontual. “Essa categoria vem perdendo força devido a migração para os smartphones e hoje representa apenas 6% do mercado. O cenário atual do país está passando por uma forte instabilidade financeira e em momentos como estes a categoria de feature phones ganha destaque pelos produtos de ticket médio bem inferior aos devices de smartphones”.

Já na categoria smartphone, o destaque do 1º trimestre de 2021 foi a desaceleração do “grey market”. Dos 11.167.500 smartphones vendidos de janeiro a março, 832.822 vieram do mercado cinza, 27% a menos em relação ao mesmo período do ano passado. É o segundo trimestre consecutivo de queda de dois dígitos no mercado não oficial, resultado de ações da IDC em conjunto com a Abinee, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos Contra a Propriedade Intelectual (CNCP) e com fabricantes da categoria para combater a venda de produtos que não passaram por todo o processo de importação legal ou de produção local no país. “Apesar da queda, o volume de vendas ainda é muito expressivo e convertendo em receita o impacto é maior. Em 2021, a estimativa é que aproximadamente 4 milhões de celulares sejam vendidos no grey market, o que significa cerca de R$6 bilhões que o País deixa de arrecadar de impostos que poderiam ser investidos em saúde, educação etc.”, afirma o analista.

Em termos de preços, o primeiro trimestre de 2021 confirmou que os dispositivos low end, de até R$ 699, vêm perdendo força e transferindo a posição de aparelhos de entrada para os modelos que até então estavam na faixa intermediária, de R$ 700 a R$ 1999. “Essa faixa intermediária com 80% do mercado, cresceu nos primeiros três meses deste ano e a tendência é de continuar nesse ritmo. Porém, é interessante frisar que essa faixa cresce, mas dá abertura para as faixas seguintes também crescerem. Os modelos super premium, por exemplo, acima de R$ 2.999, tiveram alta de 53% no período, mostrando que o consumidor tem migrado para produtos mais robustos e que a indústria está acompanhando esse aquecimento e ofertando aparelhos nessa faixa”, afirma Meireles.

Ainda Meirelesl lembra que a variação cambial e a escassez de componentes têm encarecido celulares e smartphones de forma geral, o que também influi na decisão de compra de um aparelho melhor, que levará mais tempo para ser substituído.

Quanto à receita do mercado de celulares no 1º trimestre de 2021 foi de R$19.073.135.178, alta de 17% em relação ao 1º trimestre de 2020. Desse montante, R$18.947.560.507 refere-se à venda de smartphones e R$125.574.671 de feature phones.

Expectativa
Para 2021, a IDC Brasil mantém a projeção de crescimento de 0.7% para o mercado de smartphones e de queda de 2.0% para a operação de feature phones. “Foi o que previmos no início do ano e é de fato o que os dados do primeiro trimestre indicam. Além da crise de insumos, que pode provocar a escassez de produtos nos próximos trimestres de 2021, consideramos a saída da fabricante LG que detinha uma participação de 10% no mercado”, diz Meireles.

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