Em julho, agosto e setembro de 2020, o mercado total de celulares registrou alta de 10% na comparação com o mesmo período de 2019. De acordo com o estudo IDC Brazil Mobile Phone Tracker Q3/2020, da líder em inteligência de mercado, serviços de consultoria e conferências com as indústrias de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, no período foram vendidos 13,4 milhões de smartphones e 745,2 mil feature phones, aumento de 14% e queda de 26%, respectivamente.

Este número engloba as vendas no mercado cinza, que comercializou 1,2 milhão de smartphones e 35,4 mil feature phones, queda de 4% e 76% em relação ao mesmo período de 2019. A receita foi 48% maior e registrou R$ 20,5 bilhões.

Segundo Renato Murari Meireles, analista de pesquisa e consultoria em Mobile Phones & Devices da IDC Brasil, o mercado se recuperou melhor do que o esperado no terceiro trimestre de 2020. Neste período, o analista considera que ações como o auxílio emergencial ajudaram a injetar dinheiro na economia e podem ter refletido no consumo. Além disso, foi um período de compras que deveriam ter acontecido no segundo trimestre.

“A demanda que estava reprimida nos meses de abril, maio e junho, por conta do fechamento do comércio, foi retomada de julho a setembro”, explica Renato. Houve movimento no e-commerce, mas, segundo ele, o brasileiro ainda tem a cultura de ir à loja física para ver o produto antes de comprar. A pandemia também fortaleceu o uso da tecnologia e aumentou a necessidade e o uso de smartphones.

“Os brasileiros usaram mais aplicativos e serviços de streaming, por exemplo, e percebemos a busca por smartphones com performance melhor. As videoconferências realizadas para o trabalho também foram motivo para buscar aparelhos mais potentes”, avalia.

De acordo com o estudo da IDC Brasil, a receita e o preço médio dos celulares também aumentaram no 3º trimestre de 2020, por dois fatores: a alta do dólar, 35% mais caro do que no mesmo período de 2019, e os lançamentos com especificações mais robustas. “O dólar passou de US$ 3,97 no terceiro trimestre de 2019 para US$ 5,38 no terceiro trimestre de 2020, e afetou todo o ecossistema de tecnologia. Por isso, o aumento não foi tão agressivo em volume de celulares, mas em receita”.

Os smartphones custaram em média R$ 1,5 mil e os feature phones, R$ 145, alta de 30% e 32% respectivamente.

O analista da IDC Brasil diz que a projeção da IDC para este período era menos expressiva. “A pandemia foi desafiadora, mas trouxe movimentos diferentes para o mercado, como o auxílio emergencial, novos produtos, além de aumentar a percepção da necessidade e usabilidade da tecnologia. No entanto, o período também foi marcado pela falta de componentes”, explica.

Os dados do quarto trimestre de 2020 ainda não foram consolidados e o dólar continuou sendo um desafio, mas a expectativa da IDC Brasil é que o mercado tenha seguido se recuperando com a reabertura das lojas e das vendas na Black Friday e Natal. “A indústria teve mais equilíbrio, principalmente em relação ao abastecimento dos canais, mas 2021 deve começar com o varejo menos estocado do que os anos anteriores”, finaliza Renato.